segunda-feira, setembro 21, 2026

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Nova recomendação atualiza o tratamento da tireoide durante a gestação

# Entidades médicas atualizam orientação sobre tireoide na gestação

Gestantes com anticorpos anti-TPO positivos, mas com funcionamento normal da tireoide, não devem receber levotiroxina de forma preventiva. Estudos recentes apontaram que o uso do hormônio sintético nesses casos não reduz as chances de aborto espontâneo nem de parto prematuro.

A mudança foi incorporada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). As novas recomendações foram apresentadas no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia.

O posicionamento brasileiro considera a atualização divulgada pela Associação Americana da Tireoide em junho, quase dez anos após a diretriz anterior, de 2017.

O exame positivo para anti-TPO indica predisposição a alterações autoimunes da tireoide. No entanto, quando os níveis de TSH e T4 livre permanecem dentro da normalidade, não há indicação de reposição hormonal apenas pela presença dos anticorpos.

Mesmo sem tratamento preventivo, essas gestantes devem ter a função da tireoide acompanhada durante a gravidez, pois apresentam maior risco de desenvolver hipotireoidismo ao longo da gestação.

Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, permanece a recomendação de elevar em cerca de 30% a dose habitual de levotiroxina assim que a gravidez for confirmada.

## Rastreamento continua universal no Brasil

As entidades brasileiras decidiram manter o rastreamento precoce de alterações tireoidianas para todas as gestantes desde o início do pré-natal.

A estratégia difere da diretriz americana, que recomenda a testagem direcionada a mulheres com fatores de risco. No Brasil, a avaliação universal é mantida para ampliar a identificação de casos que poderiam não ser detectados apenas pelos critérios de risco.

Quando não for possível testar todas as gestantes, devem ser priorizadas mulheres com histórico de hipotireoidismo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento prévio na tireoide, doenças autoimunes — como diabetes tipo 1 —, casos familiares de doença tireoidiana, infertilidade, dois ou mais abortamentos ou uso de medicamentos que afetam a glândula.

Idade materna, obesidade e número de gestações anteriores deixaram de integrar a lista de fatores de risco isolados para a triagem.

## Tratamento do hipotireoidismo subclínico é restrito ao início da gravidez

Outra alteração diz respeito ao hipotireoidismo subclínico, condição em que o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal.

Pelas novas orientações, a levotiroxina deve ser considerada para gestantes com TSH entre 4,0 e 10 mUI/L apenas no primeiro trimestre, período que vai até a 12ª semana e em que o feto depende mais dos hormônios tireoidianos maternos.

Se a alteração for identificada no segundo ou terceiro trimestre, a recomendação é acompanhar a função da tireoide sem iniciar rotineiramente o medicamento. A exceção é para níveis de TSH acima de 10 mUI/L.

Antes da atualização, a reposição hormonal poderia ser avaliada independentemente da fase da gestação em que o problema fosse identificado.

As diretrizes internacionais também sugerem repetir o exame de TSH em uma a três semanas antes de decidir pelo tratamento, pois alterações leves podem ser temporárias. No Brasil, porém, as sociedades médicas recomendam que a conduta seja definida sem depender dessa espera, devido à possibilidade de atraso no retorno e no acesso aos exames.

## Suplementação de iodo deve ser individualizada

O novo posicionamento também aborda a ingestão de iodo, micronutriente essencial para a produção dos hormônios da tireoide. A necessidade aumenta durante a gestação e a amamentação.

A diretriz americana recomenda garantir consumo adequado de iodo antes mesmo da concepção. No Brasil, as entidades não indicam suplementação para todas as gestantes.

A reposição deve ser avaliada individualmente, sobretudo em mulheres com dietas muito restritivas ou veganas, baixo consumo de sal iodado, ausência desse produto na alimentação ou condições que prejudicam a absorção de nutrientes. Nesses casos, pode ser considerada suplementação diária entre 100 e 150 microgramas de iodo.

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