terça-feira, setembro 22, 2026

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Mendonça afirma que Moraes teria conduzido investigação de forma direcionada no STF

**Mendonça contesta Moraes no STF e aponta supostas irregularidades em relatórios da PF**

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou defesa ao presidente da Corte, Edson Fachin, na terça-feira (22), em resposta ao pedido de investigação formulado pelo ministro Alexandre de Moraes.

No documento, Mendonça atribui a Moraes possíveis ilegalidades na requisição de relatórios de inteligência à Polícia Federal. Segundo a manifestação, os documentos teriam sido solicitados sem provocação prévia e usados para embasar suspeitas de abuso de autoridade e crime de responsabilidade contra o relator da Operação Compliance Zero.

Mendonça sustenta que os relatórios não têm identificação de autoria, data, assinatura ou timbre da Polícia Federal. Também afirma que os documentos contêm ressalvas sobre sua validade como prova e avaliações sobre a condução de inquéritos pela corporação e sobre a supervisão judicial exercida no caso.

A defesa questiona ainda como Moraes tomou conhecimento da existência dos relatórios e afirma que o nome de Mendonça foi incluído no Inquérito das Fake News sem suspeita anterior formalizada. O ministro também argumenta que uma eventual apuração contra integrantes do STF deveria passar pelo plenário da Corte.

O procedimento foi aberto por Fachin depois que Moraes divulgou um relatório de inteligência da PF sobre a atuação de Mendonça na Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos e fraudes financeiras de grande porte atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.

O relatório citado por Moraes levanta a hipótese de que Mendonça teria direcionado a investigação contra adversários políticos. Além desse documento, outros cinco relatórios de inteligência foram encaminhados pela Polícia Federal ao gabinete de Moraes.

A disputa entre os ministros ganhou dimensão pública em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero. O material apontava que Vorcaro teria enviado 52 mensagens a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data da prisão do ex-banqueiro.

De acordo com o conteúdo divulgado, as mensagens indicariam proximidade entre Vorcaro e Moraes. Em uma delas, o ex-banqueiro teria mencionado um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O relatório também registrou que Vorcaro teria buscado informações sobre uma possível operação para prendê-lo. As mensagens foram extraídas do celular apreendido pela investigação, mas as respostas do interlocutor não foram recuperadas, segundo os investigadores.

Ao se manifestar no caso, Moraes classificou como inconstitucional e ilegal a apuração relatada por Mendonça e encaminhou os relatórios de inteligência da Polícia Federal à presidência do STF.

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