quarta-feira, setembro 23, 2026

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Mato Grosso do Sul registra quase seis queimadas urbanas por dia, com impactos à saúde e ao meio ambiente

# Queimadas urbanas geram 1,2 mil atendimentos em Mato Grosso do Sul em 2026

As queimadas em áreas urbanas seguem como um problema frequente em Mato Grosso do Sul durante o período de estiagem. Entre janeiro e julho de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar registrou 1.200 atendimentos ligados a esse tipo de ocorrência no Estado, média de 5,7 casos por dia.

Em Campo Grande, foram contabilizados 500 atendimentos no período, o equivalente a cerca de 2,4 registros diários. Os dados ainda são parciais, mas mantêm o cenário de alerta observado nos últimos anos. Em 2025, Mato Grosso do Sul teve 3.550 ocorrências de queimadas urbanas, enquanto 2024 terminou com 4.452 casos.

Incêndios em terrenos baldios, quintais e áreas próximas a residências provocam fumaça e dispersam fuligem pelas vizinhanças. Grande parte das ocorrências está relacionada ao uso irregular do fogo para limpar terrenos, eliminar vegetação, descartar lixo ou queimar outros materiais.

Além dos chamados aos bombeiros, a prática também gera denúncias. Em Campo Grande, a Guarda Civil Metropolitana recebeu 834 registros relacionados a queimadas ao longo de 2025. A Ouvidoria-Geral do Município contabilizou outras 340 reclamações no mesmo período, principalmente por uso de fogo na limpeza de terrenos baldios.

Os incêndios urbanos prejudicam a qualidade do ar, atingem áreas verdes e ampliam os riscos à saúde. A fumaça resultante da queima de vegetação, lixo e resíduos contém partículas finas e gases tóxicos que podem causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças como asma, bronquite, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição causada pela fumaça.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que, até a Semana Epidemiológica 15 de 2026, Mato Grosso do Sul havia registrado 1.776 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e 133 mortes. Durante a estiagem, a baixa umidade do ar combinada ao aumento das queimadas contribui para a piora das condições respiratórias e eleva a procura por serviços de saúde.

O Corpo de Bombeiros recomenda que a população não utilize fogo para a limpeza de folhas, galhos, terrenos ou lixo. Casos de incêndio ou princípio de queimada devem ser comunicados pelo telefone 193.

Provocar queimadas é crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998, com possibilidade de pena de até quatro anos de prisão e aplicação de multa. Em Campo Grande, também há penalidades administrativas: a queima de resíduos a céu aberto pode resultar em multa de até R$ 11.590,37, enquanto queimadas em terrenos baldios ou quintais podem gerar autuação de R$ 6.781.

Como medida preventiva, a prefeitura da Capital realiza a campanha “Diga Não às Queimadas Urbanas – Agosto Alaranjado 2026”, voltada à conscientização sobre os riscos do uso do fogo no período seco.

A legislação estadual também prevê ações de educação e mobilização. A Lei nº 4.555, de 2014, instituiu a Semana Estadual de Conscientização, Prevenção e Combate à Prática de Queimadas Urbanas, realizada anualmente na semana que inclui o dia 12 de agosto.

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