domingo, setembro 20, 2026

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Livros abordam a produção cinematográfica de mulheres indígenas

**Festival de Brasília lança publicações sobre cinema de mulheres indígenas e práticas éticas no audiovisual**

Duas publicações apresentadas durante a programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro reúnem dados e recomendações voltados à presença dos povos indígenas no setor audiovisual.

As iniciativas são da Rede Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas. Uma delas é o livro *“Ler o vento, filmar o mundo: pesquisa-mapeamento sobre o cinema produzido por mulheres indígenas no Brasil”*. A outra é o manual *“Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas”*.

O levantamento sobre a produção cinematográfica feminina indígena ouviu 60 cineastas de 40 povos, de todas as regiões brasileiras. Entre as participantes, há falantes de 35 línguas indígenas.

A pesquisa registra trajetórias, filmes e diferentes formas de narrativa desenvolvidas por realizadoras indígenas. Também aponta entraves enfrentados por essas profissionais, como dificuldades de acesso a financiamento, burocracia em editais e problemas de preservação dos acervos audiovisuais.

Mais de 81% das entrevistadas já tiveram obras exibidas em mostras ou festivais. Ao mesmo tempo, cerca de 71% afirmaram ter desistido de disputar algum edital após iniciar a leitura do regulamento, em razão da linguagem utilizada, das exigências e da burocracia envolvida.

A necessidade de apresentar documentos é apontada como uma barreira especialmente para cineastas que vivem em territórios indígenas. O estudo também identificou que 65% das produtoras indígenas já perderam algum tipo de material audiovisual.

O manual de diretrizes, por sua vez, é destinado a festivais, produtoras, universidades e instituições culturais que realizam atividades audiovisuais com povos indígenas. O documento reúne práticas voltadas ao fortalecimento de relações baseadas em escuta, reciprocidade, remuneração justa e reconhecimento das formas indígenas de pensar e produzir cinema.

As recomendações foram construídas a partir de experiências de mulheres indígenas que atuam em produções, festivais, curadorias e organizações do setor cultural.

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