terça-feira, maio 12, 2026
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Ilha africana que preserva memória da escravidão aposta no turismo para gerar renda

No porto de Dakar, visitantes formam fila para embarcar na balsa que faz o trajeto de menos de meia hora até a Ilha de Gorée. Vendedoras e vendedores abordam os turistas na expectativa de vendas de artesanato e bijuterias.

A Ilha de Gorée fica a cerca de 3 quilômetros do continente e é o ponto turístico mais procurado do Senegal. Com 17 hectares — menos do que 25 campos de futebol —, a ilha foi inscrita como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1978.

Gorée guarda memória vinculada ao tráfico transatlântico de escravizados. Pela sua posição diante do Atlântico, a ilha serviu, entre os séculos 15 e 19, como entreposto para embarques forçados de africanos destinados às Américas, em operações realizadas por portugueses, holandeses, ingleses e franceses.

No centro da ilha está a Casa dos Escravos, edifício de dois andares que antecede a chamada Porta do Não Retorno, marco simbólico do período da escravidão. O espaço funciona como principal ponto de memória histórica e atração turística.

Segundo o censo de 2023 da Agência Nacional de Estatística e Demografia (ANSD), a população de Gorée é de aproximadamente 1,7 mil moradores. Para esse contingente reduzido, o fluxo turístico — de dezenas de milhares de visitantes por ano — é a principal fonte de renda.

O comércio local inclui bancas familiares, venda de esculturas em madeira e ateliês de pintura e artesanato. Algumas oficinas utilizam técnicas que combinam cola e serragem colorida para produzir quadros com paisagens e motivos africanos. As vendas sustentam famílias e ajudam a financiar obras de moradia na ilha.

A economia de Gorée baseia-se sobretudo em duas atividades: pesca e turismo. A oferta turística inclui guias locais que realizam rotas pela ilha e visitas educativas à Casa dos Escravos. Há também um monumento em homenagem a Nelson Mandela, em memória da visita do líder sul-africano, com uma inscrição que remete à ideia de inspirar outros por meio do exemplo.

No Senegal, o francês é a língua oficial, herdada do período colonial, enquanto o wolof é amplamente falado nas ruas. Profissionais do comércio e do turismo em Gorée recebem visitantes de múltiplas nacionalidades, e excursões escolares transformam a ilha em uma sala de aula a céu aberto, com grupos de alunos fazendo visitas ao longo do dia.

A importância de Gorée ultrapassa o âmbito local: a ilha funciona como espaço de preservação histórica, reflexão e educação sobre a escravidão e suas consequências para o continente africano e o mundo.

Reportagem realizada a convite do Ministério da Integração Africana, Negócios Estrangeiros e Senegaleses no Exterior.

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