quarta-feira, março 25, 2026
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Guerra no Líbano: brasileiros relatam raiva, medo e incerteza

Milhares de pessoas enfrentam chuva e frio enquanto fogem das cidades e estradas do sul do Líbano, região mais afetada pela atual escalada entre Israel e o grupo político-militar Hezbollah. Em menos de três semanas, o conflito provocou o esvaziamento da área, deslocou mais de 1 milhão de habitantes e deixou cerca de 1.000 mortos e 2.500 feridos.

O Líbano concentra a maior comunidade brasileira no Oriente Médio: 22 mil brasileiros residiam no país em 2023, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

Deslocamentos e perdas materiais
No litoral sul, na cidade de Tiro, residentes naturalizados brasileiros e libaneses tiveram de abandonar casas após ataques e bombardeios. Empreendimentos locais, como padarias, foram fechados por impossibilidade de funcionamento. Muitos encontram abrigo temporário com conhecidos ou em outras regiões do país, mas a situação é de incerteza quanto a retorno ou condições de moradia a médio prazo.

Outro grupo de brasileiros libaneses que estava no sul deixou a região após testemunhar desabamentos decorrentes de impactos de mísseis e buscou refúgio em Beirute, onde os ataques continuam com frequência.

Avanço militar e reivindicações dos dois lados
Desde 2 de março, as Forças de Defesa de Israel informaram ter atingido cerca de 2 mil alvos no Líbano e afirmaram ter abatido centenas de membros do Hezbollah. O exército israelense também sinalizou a continuidade de operações terrestres direcionadas no sul do país.

O Hezbollah, por sua vez, vem anunciando lançamentos e ataques contra alvos em Israel e em territórios fronteiriços, contabilizando dezenas de operações em dias recentes e relatando ações contra blindados e posições israelenses.

Contexto e histórico
O confronto entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi formada em reação à presença israelense no Líbano. Em 2000, o grupo conseguiu a retirada das tropas israelenses. Desde então, o Hezbollah se consolidou também como força política, com representação parlamentar.

A atual fase de hostilidades está ligada à guerra em Gaza iniciada em 2023 e a episódios posteriores de ataque e retaliação entre Israel, Hezbollah e aliados regionais. Em novembro de 2024, foi firmado um cessar-fogo preliminar entre o Hezbollah e o governo de Benjamin Netanyahu, mas confrontos e bombardeios esporádicos contra o território libanês se mantiveram ao longo dos meses seguintes.

Impacto humanitário
Organizações humanitárias e autoridades locais relatam destruição de vilarejos, interrupção de colheitas e dificuldades para atender a população civil deslocada. A extensão dos danos à infraestrutura e a duração do conflito preocupam pela potencial ampliação da crise humanitária no sul do Líbano.

O país já viveu confrontos significativos no passado recente, com ataques notáveis em 2006, 2009 e 2011, e agora enfrenta mais uma onda de violência que amplia a instabilidade regional.

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