quarta-feira, setembro 23, 2026

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Governo Espriella põe fim ao jornalismo da mídia pública colombiana

## Governo colombiano suspende noticiários das Emissoras da Paz

O governo colombiano do presidente Abelardo de la Espriella encerrou a produção jornalística das 20 Emissoras da Paz, rádios criadas a partir do acordo firmado em 2016 entre o Estado e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs).

A programação das emissoras passou a ser composta exclusivamente por conteúdo musical produzido de forma centralizada em Bogotá. A alteração afeta veículos voltados a regiões atingidas por mais de cinco décadas de conflito armado interno.

As rádios integram as medidas previstas no ponto 6.5 do Acordo de Paz. A iniciativa tinha como objetivos acompanhar a execução do pacto, estimular a convivência e oferecer informações de interesse público às comunidades localizadas em áreas marcadas pela violência.

Segundo o Ministério da Tecnologia, Inovação e Comunicações da Colômbia, a mudança faz parte de uma reestruturação do Sistema de Mídias Públicas. A pasta informou que pretende redefinir o caráter público, plural e independente da rede administrada pela Inravisón.

A gestão de Espriella, que mantém posição crítica em relação ao acordo de 2016, também argumentou que o jornalismo concentrava cerca de 90% dos recursos financeiros e do quadro de profissionais disponíveis no sistema.

Entidades ligadas à liberdade de imprensa, à comunicação comunitária e à observação eleitoral criticaram a decisão. Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), Missão de Observação Eleitoral (MOE) e Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) afirmaram que o fim dos noticiários pode reduzir o acesso a informações locais em áreas rurais.

De acordo com as organizações, as emissoras atendem mais de 463 mil pessoas, incluindo populações indígenas, afrodescendentes e camponesas. Em parte desses territórios, as rádios comunitárias representam a principal fonte de notícias sobre serviços públicos, acontecimentos locais e temas de interesse coletivo.

As entidades também apontaram que as Emissoras da Paz foram implantadas justamente em regiões mais afetadas pelo conflito, com a função de ampliar a presença de informação pública nesses locais.

Embora o governo tenha classificado a mudança como temporária, a medida foi comparada à política adotada na Argentina durante a gestão de Javier Milei. Em 2024, o governo argentino promoveu o fechamento da agência estatal Télam, principal veículo público de notícias do país.

A suspensão dos noticiários ocorre em um cenário de concentração da comunicação na Colômbia. Dados citados da organização Repórteres Sem Fronteiras indicam que cerca de 60% do território colombiano não conta com cobertura jornalística local.

Na América Latina, os sistemas de mídia pública foram estruturados, em grande parte, com inspiração em modelos europeus e com a proposta de oferecer conteúdos de interesse coletivo sem dependência direta de objetivos comerciais.

No Brasil, os veículos federais de comunicação pública são administrados pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada em 2007. A instituição é responsável, entre outros meios, pela Agência Brasil e atua dentro do princípio constitucional de complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal de radiodifusão.

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