domingo, maio 24, 2026
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Fiocruz passará a fabricar medicamento de alto custo contra esclerose para o SUS

A cladribina oral, medicamento de alto custo já fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com esclerose múltipla, passará a ser produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O remédio, comercializado como Mavenclad, foi incorporado ao SUS em 2023 para tratamento de pacientes com esclerose múltipla remitente‑recorrente (EMRR) de alta atividade — casos que apresentam surtos frequentes ou progressão rápida mesmo com terapias de base. A previsão é que a produção nacional reduza os custos de aquisição e permita ampliar o acesso.

O custo médio atual do tratamento é de aproximadamente R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos. Estima‑se que cerca de 3,2 mil pessoas no país tenham EMRR de alta atividade. No Brasil, mais de 30 mil pacientes convivem com a forma remitente‑recorrente, a mais comum da doença.

A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa que atinge cérebro e medula espinhal, com evolução variável e potencial para causar sintomas graves, como perda visual, paralisia e comprometimento cognitivo.

A cladribina é o primeiro tratamento oral de curta duração com eficácia prolongada no controle da EMRR. Por essa característica, integrou a Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.

Resultados apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) indicaram redução de lesão neuronal em pacientes tratados com o medicamento ao longo de dois anos. Estudos adicionais apontaram que 81% dos pacientes conseguiram caminhar sem apoio e mais da metade não precisou de medicação complementar.

A produção nacional será viabilizada por uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz, a farmacêutica Merck — produtora do Mavenclad — e a indústria química‑farmacêutica Nortec. Esse será o primeiro medicamento para esclerose múltipla fabricado por Farmanguinhos, cujo parque produtivo é voltado a terapias de alto valor.

A Fiocruz mantém ainda outros dois acordos com a Merck: um para a produção de betainterferona 1a, também usada no tratamento da esclerose múltipla, e outro para um medicamento destinado ao combate da esquistossomose em crianças.

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