quarta-feira, setembro 23, 2026

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Estudo sobre polipílula para prevenir AVC recruta 8,5 mil voluntários

**Brasil testa polipílula para prevenir AVC e doenças cardiovasculares**

Pesquisadores brasileiros começaram, no fim de 2025, a selecionar voluntários para um estudo sobre uma polipílula desenvolvida para reduzir o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares. A pesquisa prevê a participação de 8,5 mil pessoas, acompanhadas por um período entre três e quatro anos.

O medicamento reúne em um único comprimido rosuvastatina de 10 mg, usada no controle do colesterol, além de valsartana de 80 mg e anlodipina de 5 mg, destinados ao tratamento da pressão alta.

O estudo é coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). A iniciativa também envolve unidades de atenção primária e secretarias de saúde.

Uma etapa inicial da pesquisa foi realizada entre 2020 e 2023, em Porto Alegre, com 370 participantes. Os resultados dessa fase indicaram redução da pressão arterial e boa tolerância ao tratamento.

Podem participar pessoas de 50 a 75 anos que nunca tenham sofrido AVC ou infarto e que não utilizem medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. A participação não tem custo e inclui consultas e acompanhamento periódico com profissionais especializados.

A seleção e o acompanhamento dos voluntários são feitos em 14 centros especializados em AVC localizados em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre. A pesquisa busca incorporar novas unidades em outras regiões do país.

Os participantes serão distribuídos aleatoriamente em dois grupos. Um receberá a polipílula com os princípios ativos, enquanto o outro utilizará um comprimido placebo, sem medicação ativa.

A análise principal pretende verificar se o uso do medicamento diminui a ocorrência de AVC, demência e comprometimento da memória. Também serão observados possíveis efeitos sobre infarto, insuficiência cardíaca e mortes causadas por doenças circulatórias.

O projeto inclui ainda o aplicativo Riscômetro, que permite calcular o risco individual de AVC, infarto e outras doenças cardiovasculares. A ferramenta também oferece recursos para acompanhamento de hábitos relacionados à prevenção.

O AVC é apontado como a principal causa de morte no Brasil e está entre os principais fatores de incapacidade na população. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil registraram 89.490 mortes pela doença no país no ano passado.

No cenário mundial, a estimativa é de que os óbitos por AVC passem de 6,6 milhões, em 2020, para cerca de 9,7 milhões em 2050, alta de até 50% nas próximas décadas.

Grande parte dos casos está associada a fatores que podem ser controlados, como hipertensão, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, alimentação inadequada e consumo excessivo de álcool. A pressão arterial elevada é considerada um dos principais riscos para o desenvolvimento da doença.

A pesquisa concentra-se em pessoas de baixo e médio risco, com pressão arterial acima de 115 por 75 mmHg, mas que ainda não fazem uso de medicamentos para hipertensão, colesterol alto ou diabetes. Esse perfil representa a maior parte dos casos de AVC no mundo.

Na fase inicial, a combinação medicamentosa reduziu, em média, 12 mmHg da pressão arterial e diminuiu o colesterol em cerca de 40 miligramas por decilitro. O objetivo final é avaliar se a estratégia poderá contribuir para medidas de prevenção em larga escala, inclusive na rede pública de saúde.

Informações sobre a participação no estudo podem ser obtidas pelo telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911.

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