O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, realizou uma coletiva na embaixada em Brasília nesta segunda-feira (2), em meio ao escalonamento do confronto entre Irã, Estados Unidos e Israel.
Uma reunião de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) prevista para Viena não chegou a ser realizada na data programada, segundo relatos divulgados por autoridades iranianas.
No fim de semana anterior, o líder supremo iraniano Ali Khamenei foi assassinado, e as autoridades do país nomearam um Conselho de Liderança Interino para assumir as funções até que a Assembleia dos Especialistas eleja um novo líder. O governo informou que os mecanismos de defesa permaneceram em funcionamento sem descontinuidade.
Analistas ouvidos pela Agência Brasil interpretam que esforços externos por mudança de regime em Teerã teriam motivações ligadas à contenção da expansão econômica chinesa e à consolidação da hegemonia político-militar de Israel no Oriente Médio.
Do lado de Tel Aviv e Washington, a justificativa apresentada para as ações contra o Irã foi o caráter preventivo, diante da alegação de que Teerã estaria em processo de desenvolvimento de artefatos nucleares. O governo iraniano, por sua vez, mantém que o programa nuclear tem fins pacíficos.
No plano histórico, os Estados Unidos haviam abandonado, durante o primeiro governo Trump, o acordo de 2015 que previa inspeções internacionais ao programa nuclear iraniano. Israel, acusado por analistas de deter armas nucleares, nunca submeteu seu programa a inspeções internacionais.
Com a posse do presidente Donald Trump para um segundo mandato em 2025, os EUA retomaram pressão sobre Teerã, exigindo o desmantelamento do programa nuclear, a interrupção do desenvolvimento de mísseis balísticos de longo alcance e o fim do apoio a grupos como o Hamas e o Hezbollah.
O chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, que atua como mediador entre Washington e Teerã, informou na véspera das hostilidades que as negociações estavam próximas de um acordo, com a indicação de que o Irã teria aceitado não manter urânio enriquecido em teores que permitissem a construção de uma arma nuclear.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou posicionamento condenando o uso da força por parte de Israel e dos Estados Unidos. Autoridades iranianas também afirmaram que seus ataques atingiram alvos ligados aos EUA em países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia.



