quarta-feira, setembro 23, 2026

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Educadora defende inclusão digital crítica na era da inteligência artificial

### Uso crítico de tecnologia ganha espaço no debate sobre educação e IA

A expansão do uso da internet e de ferramentas de inteligência artificial nas escolas exige mais do que acesso a dispositivos. O tema foi debatido no 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Durante o evento, a educadora Daniela Costa, consultora da Unesco no Brasil e coordenadora da pesquisa TIC Educação, destacou a necessidade de uma inclusão digital que considere objetivos pedagógicos, riscos e oportunidades das tecnologias.

Dados apresentados indicam que recursos digitais podem contribuir para reduzir desigualdades educacionais quando utilizados de forma planejada. Na China, por exemplo, a distribuição de gravações de aulas de alta qualidade para 100 milhões de estudantes de áreas rurais elevou o desempenho escolar em 32% e reduziu em 38% a diferença salarial entre populações urbanas e rurais.

Ao mesmo tempo, pesquisas internacionais apontam efeitos negativos associados à presença e ao uso excessivo de celulares. Em 14 países, a simples proximidade de aparelhos foi relacionada a distrações e prejuízos na aprendizagem.

No Brasil, a Lei Federal nº 15.100, de janeiro de 2025, restringe o uso de celulares por estudantes durante as aulas, recreios e intervalos. Segundo dados do Cetic.br apresentados no encontro, no início de 2026, 51% das escolas afirmavam não permitir que os alunos levassem celulares para as unidades.

A restrição é menor no ensino médio: nessa etapa, 31% dos estabelecimentos adotavam a proibição de entrada dos aparelhos. Nas demais situações, os celulares devem permanecer guardados em bolsos, acessórios ou espaços definidos pela escola.

### Vídeos lideram pesquisas escolares

O levantamento também mostra uma mudança nos hábitos de pesquisa dos alunos do ensino médio. Plataformas de vídeo, como YouTube e TikTok, foram apontadas por 89% dos estudantes como recursos utilizados para buscar informações para trabalhos escolares.

Os sites de busca, como o Google, aparecem logo depois, com 88%. Em seguida estão blogs e páginas como a Wikipédia, citados por 72% dos estudantes, e plataformas de inteligência artificial, usadas por 70%. Os livros digitais foram mencionados por 65%.

Apesar da popularização das ferramentas de IA, apenas cerca de um terço dos alunos brasileiros informou ter recebido orientação sobre possíveis erros produzidos por esses sistemas.

### Formação de professores diminui

Os professores permanecem como referência para os estudantes no uso de tecnologias digitais. Entre 2022 e 2024, o percentual de alunos que disseram buscar orientações com docentes passou de 44% para 56%.

Por outro lado, caiu a proporção de professores que participaram de formação continuada sobre tecnologias aplicadas ao ensino e à aprendizagem. O índice passou de 65% em 2021 para 54% em 2024.

O debate reforçou a importância de ampliar a capacitação de educadores e de integrar o uso de recursos digitais a estratégias pedagógicas que priorizem análise crítica, segurança e aprendizagem.

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