sexta-feira, março 27, 2026
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Divisão nos EUA sobre apoio à guerra contra o Irã

Pesquisas de opinião indicam que a maior parte da população dos Estados Unidos é contrária a uma guerra contra o Irã, mas a elite política em Washington permanece dividida. No Congresso, tramita legislação destinada a limitar os poderes do presidente e a obrigar o governo a buscar autorização legislativa para novas ações militares.

Parte do Partido Republicano, ao qual pertence o presidente Donald Trump, tem apoiado a resposta militar contra Teerã, embora haja dissidências na base do movimento Make America Great Again (MAGA). A maioria dos democratas questiona a legalidade das operações, argumentando que não houve autorização prévia do Congresso, exigida pela legislação americana para ações militares.

Em várias cidades dos EUA foram registradas manifestações contrárias ao conflito, mas os protestos reuniram poucas centenas de participantes. Também houve relatos de atos de integrantes da diáspora iraniana anti-regime comemorando a notícia sobre a morte atribuída ao líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

A cobertura da imprensa americana é heterogênea. O New York Times publicou editorial criticando a ação como imprudente e apontando a ausência de uma justificativa clara e de pedido de autorização ao Congresso, mas manteve que a eliminação do programa nuclear iraniano seria um objetivo legítimo. O Wall Street Journal, mais alinhado ao mercado financeiro, manifestou apoio à agressão, alertando que um erro seria encerrar o conflito antes da destruição completa das capacidades militares iranianas e de grupos considerados terroristas.

Pesquisas recentes mostram divisões na opinião pública. Levantamento da Reuters em parceria com o instituto Ipsos apontou aprovação de 27% dos norte-americanos aos ataques contra o Irã. Outra pesquisa, divulgada pela CNN e realizada pela SSRS, indicou 41% de aprovação e um índice de desaprovação superior em outra medição.

No Legislativo, duas resoluções com o objetivo de restringir a atuação do presidente no teatro de operações estão em tramitação. O Senado programou votação de uma dessas propostas para esta quarta-feira (4). Em junho de 2025, durante um conflito de 12 dias envolvendo o Irã, o Senado rejeitou uma resolução semelhante.

Democratas vêm reclamando da falta de esclarecimentos por parte do governo sobre os objetivos da campanha e sobre o suposto risco imediato apresentado pelo Irã, condições que, segundo a legislação, poderiam justificar ações militares sem aval do Congresso. Entre os parlamentares, há figuras democratas que apresentam propostas exigindo autorização legislativa, enquanto alguns senadores democratas e a maioria dos republicanos têm apoiado, até o momento, as iniciativas do Executivo. Parlamentares republicanos alertam, porém, que o apoio pode mudar caso o conflito se prolongue.

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