# Quase 90% dos casos de câncer de pulmão no SUS são identificados em fase avançada
Levantamento do Instituto Lado a Lado pela Vida aponta que 89,6% dos pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e com estadiamento informado receberam o diagnóstico nos estágios 3 ou 4 da doença em 2023.
A análise, realizada pela plataforma Data Câncer 360º, considerou 14.145 registros de diagnóstico no SUS. Entre os casos com informação sobre o estágio do tumor, 7.267 pacientes já apresentavam câncer avançado: 2.015 estavam no estágio 3 e 5.252, no estágio 4, frequentemente associado à disseminação da doença para outros órgãos.
Somente 698 pacientes, equivalentes a 10,4% dos registros com estadiamento identificado, tiveram o tumor detectado em fases iniciais. Desse total, 307 casos foram classificados como estágio 1 e 391 como estágio 2.
O estadiamento indica a localização, o tamanho e a extensão do câncer no organismo. No levantamento, porém, 3.857 registros foram classificados como estadiamento ignorado e outros 2.100 como não aplicáveis. Segundo o instituto, a ausência dessas informações em parte dos prontuários limita a qualidade dos dados públicos sobre oncologia.
O câncer de pulmão costuma apresentar sinais pouco específicos nas fases iniciais. Tosse, falta de ar e sintomas semelhantes aos de infecções respiratórias, bronquite, asma ou gripe podem retardar a investigação adequada da doença.
A tomografia de tórax é um dos principais exames utilizados para detectar alterações pulmonares, enquanto o raio-X isolado pode não ser suficiente para identificar tumores em estágios iniciais. A inexistência de um programa nacional estruturado de rastreamento para câncer de pulmão é apontada como um dos obstáculos ao diagnóstico precoce no país.
O tabagismo permanece como o principal fator de risco e está relacionado a cerca de 85% dos casos. A doença também pode estar associada à poluição do ar, à exposição ocupacional a substâncias químicas, a fatores genéticos e a doenças pulmonares crônicas.
O consumo de cigarros eletrônicos entre jovens também preocupa entidades de saúde devido ao risco de dependência de nicotina e à exposição a substâncias que podem afetar o sistema respiratório.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima a ocorrência de 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Em 2024, a doença provocou 32.555 mortes no país.
Agosto é marcado por campanhas de prevenção ao câncer de pulmão, entre elas a Respire Agosto, criada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida. A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre a doença e sobre os riscos associados ao tabaco.



