quarta-feira, setembro 23, 2026

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Brasil reduz nível das relações com a Argentina após declarações de Milei

**Brasil rebaixa relações diplomáticas com a Argentina após ataques de Milei**

O governo brasileiro decidiu reduzir o nível das relações diplomáticas com a Argentina após sucessivos ataques do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a medida, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanecerá em Brasília e não retornará à Argentina enquanto persistirem as ofensas. A representação brasileira no país vizinho passará a ser conduzida por um encarregado de negócios, posto de hierarquia inferior ao de embaixador.

Bitelli havia sido chamado de volta ao Brasil em 26 de julho, depois de Milei fazer ataques a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes durante uma convenção do Partido Liberal, evento que lançou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Nos dias posteriores, o presidente argentino manteve críticas e insultos dirigidos ao governo brasileiro e ao STF. O Itamaraty considerou as manifestações incompatíveis com o respeito esperado nas relações entre os dois países.

A decisão brasileira recebeu atenção da imprensa argentina. Veículos locais classificaram a medida como uma punição diplomática relevante e apontaram preocupação de setores empresariais diante do impacto potencial sobre o comércio bilateral.

O Brasil é o principal destino das exportações argentinas. De janeiro a junho deste ano, o mercado brasileiro absorveu 12,6% das vendas externas de bens da Argentina, acima da China, com 9,9%, e dos Estados Unidos, com 9,8%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos argentino.

Já em 2025, a Argentina foi o terceiro maior destino das exportações brasileiras. O país recebeu US$ 18,1 bilhões em produtos do Brasil, o equivalente a 5,2% do total exportado, conforme dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

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