Em uma semana, o Rio de Janeiro se tornará a sede da cúpula do Brics, grupo de países emergentes que inicialmente incluía Brasil, Rússia, Índia e China, mas que agora conta com 11 nações frequentemente associadas a dez parceiros. Esta reunião, que ocorrerá nos dias 6 e 7 de outubro no Museu de Arte Moderna (MAM), simboliza a presidência rotativa do Brasil, responsável por dirigir as discussões entre líderes mundiais.
A presidência brasileira permite que o país influencie as pautas da reunião, que agora conta com participantes como Irã, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, ampliando o número de membros e renovando as dinâmicas do bloco. Contudo, especialistas alertam que essa expansão pode momentaneamente diluir a influência histórica do Brasil dentro do grupo.
O Brics, criado em um contexto de sub-representação nas instituições financeiras globais, evoluiu ao longo dos anos para se tornar um ator importante na reforma da ordem internacional. Entre suas iniciativas de destaque está o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que visa financiar projetos sustentável entre os países-membros.
A cúpula também servirá para explorar a viabilidade de transações comerciais entre os países, minimizando a dependência do dólar americano. Essa busca por maior autonomia monetária é complexa, dado que o Brasil ainda possui reservas substanciais em dólares.
Os debates também deverão abordar questões como a guerra tarifária iniciada sob a gestão do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, o que coloca os países do Brics em uma posição única para discutir estratégias conjuntas. Embora alguns membros desejem um alinhamento mais forte fora do Ocidente, o objetivo central do Brasil é evitar um confronto direto, mantendo uma postura de cooperação.
Além disso, o grupo está em uma posição para influenciar discussões sobre temas contemporâneos como transição energética e regulamentação de tecnologias emergentes. A relevância do Brics no cenário global está crescendo, reunindo quase metade da população mundial e uma expressiva corrente de comércio, especialmente em meio a um contexto econômico em rápida transformação.
O Brics, que hoje inclui países como África do Sul, Arábia Saudita, entre outros, representa 39% da economia global e aproximadamente 48,5% da população do mundo. Embora não seja uma organização formal com orçamento próprio, o grupo continua a expandir suas fronteiras, refletindo a busca por uma maior representatividade na arena internacional.



