quarta-feira, setembro 23, 2026

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Aumenta a distribuição de medicamentos para esclerose múltipla

**Uso de terapias de alta eficácia para esclerose múltipla cresce no SUS após atualização de protocolo**

A distribuição de natalizumabe pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 44,5% no Brasil entre 2019 e 2023, segundo análise conduzida por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita. O medicamento é indicado para casos mais agressivos de esclerose múltipla.

O levantamento avaliou os efeitos da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a doença, adotada pelo Ministério da Saúde em 2021. A pesquisa analisou mais de 1,7 milhão de registros de dispensação de medicamentos e foi publicada na revista *Multiple Sclerosis and Related Disorders*.

Além do avanço na distribuição de natalizumabe, o estudo apontou aumento no uso de outras terapias classificadas como de alta eficácia. Em sentido contrário, houve redução na utilização de medicamentos injetáveis considerados menos eficazes.

No período analisado, o número de pacientes em tratamento para esclerose múltipla pelo SUS cresceu 25,9%. Os dados indicam ampliação do acesso à assistência especializada e a tratamentos mais modernos para a doença.

A pesquisa também identificou mudança no padrão de troca de medicamentos após a revisão das diretrizes. As migrações de pacientes para terapias de alta eficácia aumentaram 82%, enquanto as substituições entre remédios de eficácia semelhante caíram 54%.

A incorporação dessas terapias, porém, ocorreu de maneira desigual entre os estados. A adoção foi mais rápida em regiões com maior número de neurologistas e de centros especializados no atendimento a pessoas com esclerose múltipla.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central. Nesses casos, o sistema imunológico ataca estruturas responsáveis pela comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Embora não exista cura, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem diminuir surtos, atrasar a progressão de incapacidades e contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.

A atualização do PCDT incorporou novas evidências científicas ao atendimento oferecido pelo SUS. Entre as mudanças, o natalizumabe passou a ser recomendado como primeira opção para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente de alta atividade, sem a exigência de falha anterior em outros tratamentos.

O estudo teve participação da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Registro de Doenças Neurológicas (REDONE).

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