# Perda gestacional exige atenção à saúde mental e rede de acolhimento
A perda gestacional precoce, caracterizada pela interrupção involuntária da gravidez até a 20ª semana, pode provocar impactos profundos na saúde mental das mulheres e de suas famílias. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta que esse aspecto do atendimento ainda recebe pouca atenção.
A experiência pode estar associada a sentimentos como tristeza intensa, vazio, culpa, ansiedade, irritabilidade, insônia e perda de interesse por atividades cotidianas. Embora o sofrimento seja uma reação esperada diante do luto, a persistência ou o agravamento dos sintomas pode indicar a necessidade de acompanhamento especializado.
Dados citados por especialistas da Febrasgo apontam que entre 15% e 20% das gestações não evoluem. Além do impacto emocional, a perda envolve alterações hormonais que podem aumentar a vulnerabilidade psicológica nas semanas seguintes ao ocorrido.
Segundo a psiquiatra Andréa Cristina Galastri, as oscilações hormonais relacionadas à gestação tendem a durar cerca de 15 dias após a interrupção. Quando sintomas como choro frequente, falta de apetite, insônia, ansiedade ou desânimo persistem por semanas e passam a comprometer a rotina, é recomendada a busca por atendimento em saúde mental.
Casos de depressão, luto prolongado ou pensamentos de morte exigem cuidado imediato. Dependendo da avaliação médica, o tratamento pode incluir psicoterapia e medicamentos.
A Febrasgo defende que o atendimento após uma perda gestacional envolva equipes de saúde, familiares e amigos. O acolhimento deve considerar as diferentes fases do luto e evitar a minimização da experiência, inclusive em situações de gravidez interrompida nas primeiras semanas.
A necessidade de espaços de escuta também tem levado mulheres a procurar grupos e comunidades na internet para compartilhar vivências. Kalyane Ribeiro, de 34 anos, criou nas redes sociais a comunidade “Ainda me Sinto Mãe”, voltada a pessoas que passaram por perdas gestacionais. A iniciativa também deu origem a um livro com relatos e reflexões sobre o tema.
## Onde buscar ajuda
Pessoas que tenham pensamentos de acabar com a própria vida devem procurar apoio de familiares, amigos, educadores e profissionais de saúde.
O Ministério da Saúde orienta que a busca por ajuda seja feita o quanto antes. Entre os serviços disponíveis estão:
– Centros de Atenção Psicossocial (Caps);
– Unidades Básicas de Saúde, postos e centros de saúde;
– Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24 horas);
– Samu, pelo telefone 192;
– Prontos-socorros e hospitais;
– Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188.
O CVV oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio de forma gratuita e sigilosa, com atendimento 24 horas por telefone, e-mail, chat e VoIP.



