sexta-feira, maio 1, 2026
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Alerta da OPAS: aumento de casos de gripe K e de VSR no Hemisfério Sul

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu alerta sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com expectativa de predominância do vírus Influenza A(H3N2) subclado K.

O subclado K, identificado pela primeira vez no ano anterior e predominante no inverno do Hemisfério Norte, foi detectado no Brasil em dezembro de 2025. As autoridades dizem que essa linhagem não é mais grave que outras, mas tende a prolongar a temporada de transmissão.

Segundo o comunicado técnico da Opas, a atividade da influenza ainda está baixa em termos absolutos, mas já há sinais de aumento em alguns países, com predominância de A(H3N2). A agência adverte que a região deve se preparar para uma possível temporada de alta intensidade e para picos de demanda hospitalar concentrados em curtos períodos, capazes de pressionar a capacidade dos serviços de saúde.

No Brasil, a taxa de positividade para influenza ficou abaixo de 5% no primeiro trimestre de 2026, mas passou a subir no fim de março, alcançando 7,4%. O Ministério da Saúde realiza sequenciamento genético por amostragem e, dos 607 testes concluídos até 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K.

Além da influenza, há aumento gradual da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) em vários países, inclusive no Brasil, antecipando o padrão sazonal e com potencial de elevar a carga de doença entre lactentes e outros grupos vulneráveis.

Frente ao cenário de circulação simultânea de VSR, influenza e casos de Covid-19, a Opas recomenda intensificação das campanhas de vacinação para reduzir internações e mortes. Estudos do Hemisfério Norte apontaram eficácia vacinal relevante na última temporada, com redução de até 75% no risco de hospitalização pediátrica em alguns locais.

No Brasil, a vacina contra a gripe é atualizada anualmente com base nas cepas que mais circularam no inverno do Hemisfério Norte. A fórmula disponibilizada neste ano inclui a cepa H3N2. A campanha nacional segue em andamento, priorizando crianças menores de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, trabalhadores de saúde, população indígena, professores e pessoas privadas de liberdade.

O Sistema Único de Saúde também oferta vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de proteger recém-nascidos contra bronquiolite, uma das principais manifestações graves associadas ao vírus.

Entre as medidas não farmacológicas recomendadas estão o reforço da higiene das mãos e da etiqueta respiratória, além da orientação para que pessoas com febre ou sintomas respiratórios evitem locais públicos e mantenham isolamento até melhora clínica. Crianças em idade escolar com sintomas respiratórios devem permanecer em casa.

O Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz em 29 de abril, corrobora a avaliação da Opas. Dados de 19 a 25 de abril apontam aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por Influenza A e VSR em todas as regiões do país.

Do total de 27 unidades federativas, 24 estão em nível de alerta, risco ou alto risco para SRAG. Em 16 estados há tendência de crescimento de casos no longo prazo. Em 2026 já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG, com confirmação laboratorial de infecção viral em 44,3% dos casos. Entre os confirmados, 26,4% foram por Influenza A e 21,5% por VSR. Nas últimas quatro semanas, a participação da Influenza A subiu para 31,6% e a do VSR para 36,2%.

Autoridades de saúde reforçam a necessidade de preparação dos serviços e de adesão às vacinas e medidas de prevenção para reduzir o impacto da temporada.

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