segunda-feira, março 30, 2026
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Vacina contra HPV diminui em 58% a incidência de câncer cervical

Um estudo conduzido entre 2019 e 2023 analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), envolvendo mais de 60 milhões de mulheres com idades entre 20 e 24 anos, para investigar o impacto da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Brasil. A pesquisa foi realizada por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Royal Society e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os resultados apontaram uma redução de 58% nos casos de câncer do colo do útero e 67% nas lesões pré-cancerosas graves (NIC3) em decorrência da vacinação. Publicada na revista The Lancet, a pesquisa revelou que os efeitos positivos da vacina foram observados mesmo antes da idade recomendada para o rastreamento, que é a partir dos 25 anos. Os pesquisadores destacam que os achados confirmam a eficácia da vacina contra o HPV em contextos de diferentes níveis econômicos, representando um avanço significativo na luta pela eliminação do câncer do colo do útero.

Desde 2014, a vacina contra o HPV é disponibilizada gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em 2024, o Brasil implementou um esquema de dose única, alinhando-se às recentes evidências científicas. Além disso, em 2025, novas diretrizes foram estabelecidas para ampliar a imunização a adolescentes de 15 a 19 anos e a grupos prioritários, como usuários de PrEP, imunossuprimidos e pacientes com papilomatose respiratória recorrente.

O câncer do colo do útero continua a ser o segundo mais prevalente entre as mulheres brasileiras e uma das principais causas de morte nesse grupo. A vacinação se mostra uma estratégia crucial para combater desigualdades em saúde e alcançar as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação da doença.

Aproximadamente 50% a 70% das pessoas sexualmente ativas podem entrar em contato com o HPV ao longo da vida, e a vacina é capaz de proteger contra até 98% dos tipos oncogênicos mais perigosos. A imunização é a medida mais eficaz para prevenir a infecção e está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de homens e mulheres que vivem com HIV, transplantados e pacientes oncológicos com idades entre 9 e 45 anos. Também é oferecida a imunização a vítimas de abuso sexual e usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de HIV, entre outros grupos.

As vacinas podem ser encontradas em unidades básicas de saúde e centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade.

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