quarta-feira, abril 1, 2026
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Especialistas destacam a importância de cuidados específicos para a pele negra

**Avanços nos Cuidados Dermatológicos para Pele Negra no Brasil**

O médico Thales de Oliveira Rios, que enfrentou problemas de oleosidade e acne desde a adolescência, encontrou um tratamento eficaz apenas após consulta com um colega dermatologista, que lhe apresentou abordagens específicas para sua pele. Durante os anos, Thales experimentou diversas alternativas, mas somente com o adequado acompanhamento especializado notou uma melhora significativa em seu quadro.

A consulta revelou que tratamentos dermatológicos precisam considerar a pigmentação da pele. Thales relatou que a apresentação de lesões varia conforme o tom da pele, um aspecto pouco abordado nas faculdades de medicina.

Cauê Cedar, chefe do Ambulatório de Pele Negra do Hospital Universitário Pedro Ernesto, estuda as peculiaridades da pele negra desde sua especialização. Segundo ele, os materiais digitais e acadêmicos que formam médicos são predominantemente elaborados com base em peles claras, o que limita a competência dos profissionais em diagnosticar e tratar condições dermatológicas em pacientes de pele negra.

Cedar também destaca as particularidades da pele negra, que tende a desenvolver manchas e cicatrizações hipertróficas, além das necessidades especiais de cuidados com cabelos cacheados e crespos. Ele enfatiza que essa temática raramente é abordada nos treinamentos médicos tradicionais.

A indústria de produtos dermatológicos tem começado a incluir as necessidades do público negro, com avanços significativos no desenvolvimento de protetores solares adequados. Tradicionalmente, protetores solares com cor não eram compatíveis com os diversos tons de pele negra, e opções sem cor deixavam um resíduo não estético, dificultando a adesão ao uso.

Neste ano, o Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o principal evento da área, incluiu pela primeira vez uma discussão focada em cuidados para a pele negra. Além disso, a regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Dermatologia criou um Departamento de Pele Étnica, coordenado por Cauê Cedar, com o intuito de aprimorar o conhecimento e o atendimento a diversas populações.

A presidente da regional, Regina Schechtman, ressaltou que é fundamental que médicos ampliem sua compreensão sobre as particularidades de cada grupo étnico no atendimento. Por exemplo, a dermatoscopia, um exame básico, não oferece os mesmos resultados em todos os tons de pele e deve ser interpretada conforme a pigmentação.

Ela também alertou que as condições dermatológicas, incluindo câncer de pele, afetam a autoestima e podem ser perigosas para pacientes de pele negra. Embora a incidência de câncer seja geralmente maior em pessoas com menor pigmentação, não se pode desconsiderar a vulnerabilidade dos negros aos danos da radiação ultravioleta.

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