Sete em cada dez estudantes do ensino médio no Brasil são adeptos de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, como ChatGPT e Gemini, no âmbito de pesquisas escolares. No entanto, a orientação sobre o uso seguro e responsável dessas tecnologias nas escolas é mínima, com apenas 32% dos alunos recebendo algum tipo de instrução sobre o tema.
Essas informações foram divulgadas na 15ª edição da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A pesquisa analisou o impacto da tecnologia na educação brasileira, especialmente no contexto atual.
No levantamento inicial, 37% dos estudantes do ensino fundamental e médio afirmaram utilizar ferramentas de IA para procura de informações. A porcentagem é ainda maior entre os alunos do ensino médio, que alcançam 70% de utilização.
As instituições de ensino já iniciaram discussões sobre o papel da IA generativa nas atividades acadêmicas, envolvendo gestores, professores e pais. A pesquisa revelou que 68% dos gestores realizaram reuniões com funcionários e 60% com os responsáveis para debater o uso de tecnologias digitais, sendo que 40% mencionaram especificamente normativas sobre o uso da IA.
Apesar do uso crescente, a falta de orientação prática revela uma lacuna importante que precisa ser abordada nas escolas. A pesquisa também destacou que as práticas baseadas em IA apresentam novas demandas quanto à integridade da informação e à avaliação de fontes.
Em relação ao uso de celulares nas escolas, a pesquisa foi realizada em um período de transição, coincidente com a promulgação da Lei 15.100, que limita o uso desses dispositivos. Em 2024, 39% das instituições proíbem completamente o celular, um aumento em relação aos 28% registrados anteriormente. A permissão do uso em determinados horários e locais também apresentou queda, passando de 64% para 56%.
No que tange à conectividade, quase todas as escolas brasileiras (96%) têm acesso à internet, com destaque para as instituições municipais e rurais, que apresentaram um aumento significativo na conectividade nos últimos anos. No entanto, a desigualdade no acesso ainda persiste, especialmente nas redes municipal e estadual, onde 27% dos alunos utilizam a internet para atividades escolares.
Além disso, a presença de dispositivos digitais nas escolas ainda é limitada, com uma queda no número de computadores disponíveis para uso dos alunos. Essa situação é mais evidente nas escolas rurais, onde a disponibilidade de equipamentos diminuiu de 46% para 33% entre 2022 e 2024.
Por fim, a formação dos professores para o uso de tecnologia digital tem mostrado uma queda significativa. Apenas 54% dos docentes participaram de cursos de formação nesse sentido em 2024, uma redução em relação aos 65% de 2021. Para melhorar a orientação dos alunos sobre o uso responsável das tecnologias digitais, a capacitação dos professores é vista como essencial.



