segunda-feira, março 30, 2026
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Menos de 40% dos alunos reconhecem a importância dos professores, aponta pesquisa

Os anos finais do ensino fundamental, que englobam o 6º ao 9º ano, representam uma fase crucial na trajetória escolar dos alunos, marcada pela transição da infância para a adolescência. Para contribuir na formulação da primeira política nacional voltada a essa etapa, foi realizada, nesta terça-feira (9), uma pesquisa abrangente que ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes em 21 mil escolas brasileiras.

Os dados indicam que mais de 50% dos alunos se sentem acolhidos nas escolas, mas menos de 40% valorizam os professores. A pesquisa surgiu de uma colaboração entre o Ministério da Educação (MEC), o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Itaú Social, durante a Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas, engajando 46% das instituições de ensino que oferecem os anos finais.

Durante o lançamento do relatório em Brasília, a secretária da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC ressaltou a importância de compreender que cada aluno tem um modo único de aprender e que é necessário adaptar as salas de aula para refletir essa diversidade. O foco, segundo ela, deve ser na preparação de professores e no desenvolvimento de um currículo escolar que seja significativo.

As percepções coletadas foram divididas entre alunos do 6º e 7º anos e aqueles do 8º e 9º. Embora a diferença de idade seja pequena, as respostas mostram contrastes notáveis entre os grupos. Alunos mais velhos tendem a ter uma visão menos positiva da escola em comparação com os mais jovens.

Desde 2023, o MEC tem promovido diálogos com estudantes e gestores, buscando uma abordagem mais integrada na educação para a adolescência. A superintendente do Itaú Social destacou que o Brasil, ao ouvir a opinião dos adolescentes, estabelece um modelo de construção colaborativa que busca assegurar que os anos finais do ensino fundamental não sejam negligenciados.

Em relação ao acolhimento, 66% dos alunos do 6º e 7º anos afirmaram sentir-se acolhidos, enquanto entre os do 8º e 9º anos esse número é de 54%. No que tange à confiança em adultos na escola, 75% dos mais jovens expressaram confiança, mas apenas 58% sentem-se verdadeiramente acolhidos. Para os estudantes mais velhos, o índice de acolhimento cai para 45%.

Analisando as relações sociais, 65% dos alunos do 6º e 7º anos concordam que a escola favorece a formação de amizades, enquanto 55% dos mais velhos compartilham dessa opinião. No entanto, a pesquisa revela preocupações em relação ao respeito e valorização dos professores, com apenas 39% dos alunos mais jovens e 26% dos mais velhos expressando esse sentimento.

Os estudantes foram questionados sobre quais conteúdos consideram mais importantes para seu desenvolvimento. Os mais jovens destacaram disciplinas tradicionais (48%), seguidas por temas relacionados ao corpo e ao desenvolvimento socioemocional (31%) e habilidades para o futuro (21%). Para os alunos do 8º e 9º anos, as disciplinas tradicionais também foram mencionadas por 38%, com a dimensão corpo e socioemocional e as habilidades para o futuro sendo importantes para 29% e 24%, respectivamente.

Essa pesquisa traz à tona a necessidade urgente de atenção às especificidades dos anos finais do ensino fundamental, promovendo estratégias que favoreçam a inclusão e aprendizado de todos os estudantes, respeitando a diversidade de suas experiências.

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