segunda-feira, março 30, 2026
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Caminhos para Exu: A Celebração da Resistência dos Povos de Terreiro no Distrito Federal

Na tarde deste domingo (7), Brasília recebeu mais de uma centena de praticantes e simpatizantes das religiões de matriz africana. O encontro teve como objetivo celebrar a fé e a resistência das comunidades de terreiros e promover um apelo pelo fim da intolerância religiosa.

A escolha da data está relacionada ao número sete, que possui significados especiais para o orixá Exu, simbolizando a conexão entre o espiritual e o material. O evento, denominado Caminhos para Exu, foi inspirado na Marcha para Exu realizada em São Paulo, que, em sua terceira edição, atraiu milhares de participantes na Avenida Paulista no mês passado e se espalhou por outras cidades.

A cantora Kika Ribeiro, uma das organizadoras do evento, destacou a importância de afirmar a presença das religiões de matriz africana na sociedade. A celebração ocupou um trecho da avenida W3 Sul, entre a Praça das Avós e a Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles, parceira do projeto. O foco do evento está em promover respeito entre todas as crenças.

A coordenadora cultural da Biblioteca Demonstrativa, Marina Mara, ressaltou que o evento atraiu tanto adeptos de religiões como o candomblé e a umbanda, quanto simpatizantes, que se juntaram por meio dos cânticos e dos toques de atabaques e agogôs. A celebração evoca temas como comunicação e prosperidade, traços fundamentais associados a Exu, considerado um mensageiro entre os mundos humano e divino.

A biblioteca aproveitou a ocasião para estender a exposição “Cartas à Tereza”, em homenagem à líder quilombola Tereza de Benguela, até 15 de setembro, esperando atrair mais visitantes em função da marcha.

Francys de Óya, coordenadora do terreiro Kwe Oya Sogy em Samambaia, participou do evento para mostrar que as comunidades de terreiros são instituições de alegria e prosperidade, e não de maldade, apesar do preconceito enfrentado.

Conforme dados do Censo de 2022, os praticantes das religiões de matriz africana já representam 1% da população brasileira, um aumento de mais de 300% desde 2010. Este crescimento é atribuído a políticas públicas voltadas para o combate à intolerância religiosa. Contudo, pesquisas da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos indicam que essas religiões ainda são frequentemente alvo de discriminação.

O Caminhos para Exu busca desfazer estigmas associados ao orixá, promovendo uma nova perspectiva sobre a espiritualidade africana e sua vital importância na cultura brasileira.

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