quinta-feira, março 26, 2026
InícioMundo"Denúncia da Médicos sem Fronteira: Massacre em Gaza"

“Denúncia da Médicos sem Fronteira: Massacre em Gaza”

Em recente relatório, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) destacou casos de violência direcionada e indiscriminada em Gaza, gerados por forças israelenses e empresas de segurança privadas dos Estados Unidos. Os dados foram coletados em duas clínicas da região, onde a ONG atendeu vítimas em locais de distribuição de alimentos controlados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF).

A MSF solicita a suspensão imediata das operações da GHF e pede a reinstauração do sistema de ajuda humanitária sob a coordenação da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONG também recomenda que os governos, em especial os EUA, interrompam qualquer apoio financeiro ou político à GHF, que considera uma armadilha mortal.

Intitulado “Não é ajuda, é um massacre orquestrado”, o relatório apresenta relatos de horrores vividos nas clínicas Al-Mawasi e Al-Attar, onde, entre 7 de junho e 24 de julho, foram atendidos 1.380 pacientes, incluindo 28 mortos. A maior parte dos feridos atendidos, 71 crianças, mostram a gravidade da situação, com muitos sendo enviados para buscar alimentos em um ambiente cheio de riscos.

As análises revelam que 11% dos ferimentos por arma de fogo das vítimas atendidas na clínica de Al-Mawasi eram na cabeça e no pescoço, e 19% afetavam o tórax e abdômen. Esse padrão sugere que os disparos foram intencionais, e não acidentais.

A GHF, reformulada em maio, substituiu um esquema humanitário da ONU por um modelo militarizado, sob total controle israelense. Essa mudança foi considerada uma resposta às alegações de desvio de ajuda, embora para a MSF represente uma estratégia que perpetua a fome na região desde o cerco total imposto em março.

O relatório também menciona 196 pacientes que sofreram ferimentos durante tumultos nos pontos de distribuição da GHF, incluindo casos graves de asfixia e pisoteamento. Aqueles que conseguem obter alimentos enfrentam ainda o risco de serem atacados ou roubados por outras pessoas famintas. A MSF designou uma nova categoria de registro para esses casos, denominada “BBO” (agredido por outros).

Entre 27 de julho e 2 de agosto, 186 pacientes foram atendidos nos pontos de distribuição, vítima de balas, estilhaços e agressões. Duas pessoas morreram nesse período, refletindo a constante violência nas proximidades da GHF.

Com a urgência da situação, a MSF reafirma a gravidade dos ataques, especialmente contra crianças, e enfatiza a necessidade de uma atuação global mais decidida para interromper essas práticas.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES