sábado, outubro 31, 2026

InícioMundoChristine Lagarde deixa a presidência do Banco Central Europeu

Christine Lagarde deixa a presidência do Banco Central Europeu

**Christine Lagarde deixa presidência do BCE em meio a pressão econômica e cenário eleitoral na Europa**

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, anunciou nesta quinta-feira (29) sua renúncia ao comando da instituição. A saída será efetivada em 7 de fevereiro, antes do fim previsto de seu mandato, que iria até outubro de 2027.

A decisão ocorre em um período de instabilidade econômica na Europa, marcada pela pressão inflacionária decorrente da alta do petróleo associada à guerra no Irã e pela elevação dos juros dos títulos públicos. Na França, o avanço dos rendimentos da dívida tem aumentado os custos de crédito para empresas e famílias e pode limitar o crescimento da economia.

A antecipação da saída também dá tempo para que a União Europeia defina um novo presidente do BCE antes da eleição presidencial francesa. Pesquisas apontam a candidata de extrema direita Marine Le Pen como favorita na disputa.

Ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Lagarde ocupava a presidência do BCE desde 2019. Informações de fontes ligadas ao assunto indicam que sua decisão está relacionada à intenção de atuar em debates políticos na França e em questões internacionais, atividade que seria incompatível com a obrigação de neutralidade exigida no comando da autoridade monetária europeia.

Lagarde já informou que não pretende concorrer à Presidência da França. O Conselho Europeu deverá iniciar imediatamente o processo para escolher seu sucessor.

A substituição pode integrar uma negociação mais ampla envolvendo outros postos de comando no BCE. Isabel Schnabel deixará uma cadeira no conselho executivo no início de janeiro, enquanto o economista-chefe Philip Lane tem saída prevista para maio.

Entre os nomes mais cotados para assumir a presidência estão Klaas Knot, ex-presidente do Banco Central da Holanda, e Pablo Hernández de Cos, ex-dirigente do Banco da Espanha. A reação dos mercados ao anúncio foi limitada, diante da avaliação de que o BCE possui uma estrutura institucional consolidada.

A renúncia acontece enquanto a instituição conduz um ciclo de alta de juros para impedir que o encarecimento da energia se espalhe para outros preços e salários. A expectativa predominante é que o BCE mantenha nesta quinta-feira a taxa de depósito em 2,5%, embora possa indicar novo aumento já em dezembro.

Os mercados projetam mais três elevações de juros até o fim do próximo ano, o que levaria a taxa de depósito a 3,25%. Esse patamar é considerado restritivo e pode reduzir ainda mais o ritmo de crescimento da economia europeia.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES