# Mulheres negras registram mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior que mulheres brancas, aponta Inca
Mulheres negras têm taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes superior à observada entre mulheres brancas no Brasil. O dado consta na publicação *Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama*, divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).
O estudo integra a série *Disparidades Raciais e Câncer de Mama: um Olhar para a Saúde das Mulheres Negras*. Embora a incidência da doença seja maior entre mulheres brancas, a mortalidade atinge de forma mais intensa a população negra.
Segundo o levantamento, a diferença pode estar associada a obstáculos no acesso ao diagnóstico precoce e aos tratamentos oferecidos pelos serviços de saúde. Mulheres negras também apresentam maior incidência do subtipo triplo negativo, considerado mais agressivo.
A análise identificou ainda menor realização de exames de rastreamento entre mulheres negras de 50 a 69 anos, faixa etária prioritária para a detecção precoce. O diagnóstico em estágios mais avançados pode contribuir para os piores resultados no tratamento.
O Inca aponta que desigualdades socioeconômicas, barreiras de acesso à rede de saúde e situações de estresse ligadas às condições de vida ajudam a explicar as disparidades raciais. Aspectos relacionados à ancestralidade e à genética também devem ser considerados nas pesquisas sobre o tema.
A publicação recomenda o fortalecimento de políticas de prevenção e promoção da saúde voltadas às populações mais vulneráveis. Entre as medidas estão a redução de fatores de risco modificáveis, como obesidade e consumo de álcool, além do incentivo à alimentação equilibrada, à prática de exercícios físicos e ao aleitamento materno.
O câncer de mama é o tipo mais frequente entre mulheres no país, e cerca de quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem após os 50 anos. Estimativas indicam que aproximadamente 17% dos casos poderiam ser evitados com hábitos saudáveis, incluindo manutenção do peso adequado, atividade física, redução do consumo de bebidas alcoólicas e amamentação.
A divulgação do estudo ocorreu durante atividades do Outubro Rosa na unidade do Inca da Praça Cruz Vermelha, no centro do Rio de Janeiro, e coincidiu com o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.



