**Justiça italiana adia para novembro julgamento sobre extradição de Carla Zambelli**
A Corte de Apelação de Roma remarcou para 24 de novembro o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. O processo está relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após ela perseguir um jornalista armado pelas ruas de São Paulo, em 2022.
O adiamento foi concedido após a defesa informar que ainda não havia tido acesso aos documentos enviados pelas autoridades brasileiras sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. A unidade é apontada como possível destino de Zambelli caso a extradição seja autorizada.
A Justiça italiana já havia aceitado o pedido de extradição em primeira instância. No entanto, a Corte de Cassação determinou a realização de uma nova análise, diante da necessidade de informações sobre o sistema prisional brasileiro.
Esta é a segunda vez que autoridades italianas examinam pedidos de extradição envolvendo Zambelli. Em outro processo, ligado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a extradição chegou a ser aprovada inicialmente, mas a decisão foi revertida pela Corte de Cassação.
Na ocasião, o tribunal italiano considerou questões relacionadas à condução do processo no Brasil, que teve como relator no Supremo Tribunal Federal (STF) o ministro Alexandre de Moraes.
Zambelli foi condenada em 2025 pela Primeira Turma do STF a dez anos de prisão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Segundo a decisão, ela participou da invasão aos sistemas do CNJ em 2022 para inserir um mandado de prisão falso contra Moraes, com o objetivo de atingir a imagem do Judiciário às vésperas da eleição presidencial.
No mesmo ano, a ex-deputada recebeu nova condenação no STF: cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso envolve a perseguição ao jornalista Luan Araújo, dias antes do segundo turno das eleições de 2022.
Após a primeira condenação, antes da expedição da ordem de prisão, Zambelli deixou o Brasil usando um passaporte europeu. Ela viajou inicialmente aos Estados Unidos e, depois, seguiu para a Itália, onde solicitou refúgio.
A ex-deputada foi presa em Roma após pedido do STF encaminhado pelo governo brasileiro. Com a rejeição definitiva do primeiro pedido de extradição, ela foi libertada e permanece na capital italiana à espera da decisão sobre o segundo processo.



