# Dourados reúne mais de 9 mil registros de migrantes internacionais desde 2010
A Prefeitura de Dourados elaborou, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), um diagnóstico sobre a população migrante, refugiada e apátrida residente no município. O levantamento reúne dados sobre perfil social e demográfico, moradia, trabalho e acesso à rede pública de serviços.
O estudo deve orientar o planejamento de ações voltadas a esse público e servir de base para a estruturação de uma política municipal permanente de acolhimento, regularização documental e inclusão social.
Entre 2010 e 2025, Dourados registrou 9.197 migrantes internacionais, volume equivalente a 24,2% dos registros de todo Mato Grosso do Sul no período. A população é formada principalmente por jovens organizados em núcleos familiares, com predominância de venezuelanos.
No Centro de Atendimento ao Imigrante, pessoas da Venezuela corresponderam a 88% dos atendimentos. A maior parte dos migrantes chega à cidade por meios próprios e se concentra em regiões como Jardim Água Boa, Vila São Francisco, Vila Industrial, Jardim Guanabara e Parque das Nações.
A presença desse grupo também tem impacto significativo nos serviços públicos. Em 2025, a Atenção Primária à Saúde realizou 60.364 atendimentos a migrantes, envolvendo 7.541 pessoas diferentes. No mesmo ano, o Centro de Atendimento ao Imigrante e o Projeto Bienvenido registraram 2.684 atendimentos.
Em período mais amplo, entre 2018 e setembro de 2026, a rede de Atenção Primária contabilizou 266.028 atendimentos destinados a 15.133 migrantes.
Na educação municipal, foram identificados 1.646 estudantes migrantes em 2025, dos quais 94% eram venezuelanos. O número de matrículas dessa população havia passado de 55, em 2018, para 1.351 em 2024, indicando aumento contínuo da demanda nas escolas da cidade.
O diagnóstico aponta que a inserção no mercado de trabalho ocorre, principalmente, no setor industrial, com salários de até dois mínimos. O levantamento também identificou casos de trabalhadores com formação profissional superior à exigida pelas funções ocupadas.
Na assistência social, uma das principais dificuldades está na inclusão de recém-chegados nos programas públicos. Do total de migrantes atendidos, 58,8% não possuíam Cadastro Único. A Casa da Acolhida e o Centro POP também registraram crescimento da procura por serviços.
Entre as propostas apresentadas estão o reforço das equipes multiprofissionais, a ampliação do acesso aos serviços nos bairros e a criação de indicadores permanentes para acompanhar as demandas e os resultados das ações.
O documento recomenda ainda que o Projeto Bienvenido, criado como resposta emergencial, seja incorporado a uma política municipal contínua, integrada entre diferentes áreas da administração e com possibilidade de cofinanciamento federal.



