# Chile enfrenta retração econômica e alta do desemprego após ajuste fiscal de Kast
Sete meses após assumir a Presidência do Chile, José Antonio Kast enfrenta deterioração dos indicadores econômicos, com queda do Produto Interno Bruto (PIB), avanço do desemprego e inflação pressionada pelo aumento dos combustíveis.
No terceiro trimestre de 2026, a economia chilena encolheu 0,3%, após recuo de 0,2% entre abril e junho. No mesmo período, a taxa de desemprego chegou a 9,6%, alta de um ponto percentual na comparação com 12 meses antes.
Diante do cenário, o governo anunciou no fim de setembro um pacote de investimentos públicos de 1,3 bilhão de pesos chilenos. A medida inclui obras de infraestrutura, incentivos para contratação de trabalhadores e apoio ao crédito para empresas.
Kast tomou posse em março com uma agenda de redução da presença estatal, corte de despesas públicas e diminuição de impostos para empresas. O plano previa cortar o equivalente a 3% dos gastos do Estado.
Os primeiros relatórios do governo apontaram redução de cerca de 2 trilhões de pesos nas despesas, valor correspondente a aproximadamente 0,6% do PIB chileno. Levantamento do jornal The Clinic, baseado em decretos de 17 dos 25 ministérios, estimou cortes superiores a US$ 1,4 bilhão.
A área da Saúde concentrou a maior redução, de 413 bilhões de pesos chilenos. Habitação teve corte de 200 bilhões, seguida por Educação, com 197 bilhões, e Trabalho, com 141 bilhões. Na Previdência, a redução chegou a 706 milhões de pesos.
A alta internacional dos combustíveis, associada aos conflitos no Oriente Médio, também ampliou a pressão sobre os preços no Chile. O governo decidiu não adotar medidas para baratear gasolina e diesel, alegando impacto fiscal, o que contribuiu para a inflação.
O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo sua projeção de crescimento chileno em 2026. A estimativa, que era de 1,8% em julho, passou para 0,6% em outubro. O resultado projetado é o segundo pior da América do Sul, à frente apenas da Bolívia, cuja economia deve recuar 3% neste ano, segundo o organismo.
A mineração de cobre, principal setor exportador do país, também enfrenta dificuldades. Entre janeiro e agosto, a produção ficou 8% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2025, conforme dados da Câmara Mineira do Chile.
O cobre responde por cerca de 40% a 50% das exportações chilenas. A atividade foi afetada pelo esgotamento de minas, dificuldades tecnológicas na extração, eventos climáticos que prejudicaram o transporte da produção e mobilizações trabalhistas por reajustes salariais.
Para 2027, o governo prevê aumento das despesas equivalente a 1,5% do PIB, abaixo das estimativas anteriores. Entidades sociais alertam que a proposta pode atingir programas voltados à população de baixa renda.
A Fundação Horizonte Cidadão, ligada à ex-presidente Michelle Bachelet, calculou que 48 programas sociais podem perder recursos. Juntos, eles somam 325 bilhões de pesos chilenos.
Os cortes na Educação provocaram manifestações estudantis em diferentes regiões do país, com registros de repressão policial. Após sete meses de governo, Kast ultrapassa 60% de desaprovação, segundo os dados mencionados no levantamento.



