quarta-feira, outubro 21, 2026

InícioSaúdeNegacionismo eleva casos de sarampo nos EUA e acende alerta para o...

Negacionismo eleva casos de sarampo nos EUA e acende alerta para o Brasil

# Surto de sarampo nos EUA pressiona vigilância sanitária no Brasil

Os Estados Unidos enfrentam o maior surto de sarampo em mais de 30 anos, com mais de 4,4 mil casos confirmados e três mortes registradas neste ano. Dados indicam que 98% dos infectados não haviam concluído o esquema vacinal.

O avanço da doença ocorre em meio a mudanças na política de imunização americana e à disseminação de informações sem respaldo científico sobre vacinas. Em agosto, o governo dos Estados Unidos reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados universalmente para crianças.

Também foi determinada a separação da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — em três aplicações diferentes. Os imunizantes individuais para essas doenças, porém, deixaram de ser produzidos há quase duas décadas.

A situação americana eleva o risco de importação de casos para outros países do continente. Nas Américas, já foram contabilizados mais de 56 mil registros de sarampo e ao menos 80 mortes, segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

No Brasil, foram confirmados 61 casos neste ano, em sua maioria relacionados a infecções importadas. O país não registra transmissão sustentada do vírus desde 2024 e mantém o certificado de área livre do sarampo, embora a circulação internacional da doença represente um desafio à manutenção desse status.

O Brasil conquistou inicialmente a certificação em 2016, mas a perdeu em 2019 após a reintrodução do vírus na Região Norte. Naquele período, a doença se espalhou pelo país e provocou um grande surto em São Paulo, com cerca de 19 mil casos.

A cobertura da vacina tríplice viral apresentou melhora nos últimos anos. Em 2023, a primeira dose alcançou 88% do público-alvo infantil, enquanto a segunda chegou a 66%. Em 2024, os índices subiram para 96% e 78%, respectivamente. Os dados preliminares deste ano apontam cobertura de 95% na primeira dose e de 80% na segunda.

A recomendação sanitária é manter ao menos 95% de cobertura vacinal para impedir a circulação do vírus e proteger também pessoas que não podem ser imunizadas, como recém-nascidos e indivíduos com algumas condições de imunidade.

A resposta a suspeitas de sarampo envolve confirmação laboratorial, isolamento do paciente, identificação de contatos e reforço da vacinação nas áreas afetadas. Em São Paulo, onde se concentra a maior parte dos casos brasileiros, quase 4 milhões de doses adicionais foram aplicadas neste ano. No Amazonas, que registrou 17 infecções confirmadas entre setembro e outubro, foram distribuídas quase 192 mil doses extras.

Outra mudança nos Estados Unidos envolveu a vacinação contra hepatite B. Desde agosto, a dose aplicada logo após o nascimento deixou de ser recomendada para todos os bebês americanos e passou a ser indicada apenas para grupos considerados de maior risco ou mediante decisão entre médicos e famílias.

A alteração já tem reflexos pontuais no Brasil, especialmente em maternidades privadas, com relatos de responsáveis que recusam a imunização neonatal. A vacinação precoce é considerada importante porque a infecção pelo vírus da hepatite B na infância apresenta alto risco de se tornar crônica, podendo evoluir para cirrose e câncer de fígado.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES