segunda-feira, setembro 21, 2026

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Autismo: estratégias para melhorar o atendimento a crianças

**Atendimento oftalmológico de crianças com TEA exige adaptações e preparo da equipe**

Crianças com transtorno do espectro autista (TEA) podem enfrentar obstáculos específicos durante consultas oftalmológicas, como hipersensibilidade sensorial, dificuldade com mudanças de rotina e baixa adesão a tratamentos feitos em casa. A rejeição ao uso de óculos e de tampão ocular também está entre os desafios frequentes.

Dados apresentados no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador até sábado (12), apontam que cerca de 40% das crianças com TEA têm transtornos de ansiedade associados. Ao mesmo tempo, menos de 4% dos médicos especialistas relatam ter recebido capacitação para atender pacientes no espectro.

Comportamentos interpretados como resistência durante o exame podem estar relacionados à confusão, à ansiedade ou à sobrecarga causada por ambientes pouco adaptados. Essas dificuldades podem impedir a conclusão da avaliação ocular, necessária para identificar e acompanhar possíveis alterações na visão.

A atenção é ainda mais importante diante da maior incidência de alguns problemas oftalmológicos nesse público. Estudos indicam prevalência de estrabismo próxima de 41% entre crianças com TEA, ante cerca de 3% entre crianças com desenvolvimento típico.

Entre as medidas recomendadas está a preparação antes da consulta. O agendamento pode considerar horários com menor movimento e menor tempo de espera. Questionários prévios ajudam a equipe a conhecer o perfil sensorial, o nível de comunicação, os interesses e os possíveis gatilhos da criança. Vídeos curtos sobre o consultório e os equipamentos também podem tornar a experiência mais previsível para o paciente e a família.

A adaptação do ambiente inclui a redução de estímulos sonoros e luminosos, a oferta de locais de espera mais tranquilos e a possibilidade de uso de fones de ouvido. Também é recomendada a permissão para que a criança leve brinquedos sensoriais ou outros objetos familiares que contribuam para seu conforto.

Durante o exame, a orientação é utilizar frases curtas, apresentar os instrumentos antes de usá-los e respeitar o tempo de processamento das informações. Procedimentos que exigem mais concentração podem ser realizados no início da consulta, com pausas quando necessário.

Outras práticas incluem oferecer escolhas simples, como definir qual olho será examinado primeiro, e avisar antes de qualquer contato físico. A capacitação de todos os profissionais do consultório é apontada como parte essencial para ampliar o acesso e melhorar a qualidade do atendimento oftalmológico a crianças com TEA.

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