# Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões e eleva pressão sobre juros
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez, após crescer US$ 1 trilhão em cinco meses. O patamar foi atingido antes das projeções do Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO), que estimava que esse nível seria alcançado apenas em 2027.
O endividamento americano dobrou desde 2017. Entre os fatores associados à alta estão reduções de impostos, tarifas sobre importações, inflação relacionada ao aumento dos preços de combustíveis durante o conflito no Oriente Médio, despesas militares elevadas e o avanço dos gastos com juros.
Os gastos militares dos Estados Unidos permanecem próximos de US$ 1 trilhão. Já as despesas com o serviço da dívida chegaram a US$ 1,1 trilhão, mais que o dobro dos US$ 419 bilhões registrados em 2021.
Apesar do valor recorde, a dívida não indica, por si só, risco de insolvência para os EUA. O país emite sua própria moeda, e o dólar segue como a principal reserva internacional. Além disso, os títulos do Tesouro americano continuam entre os ativos mais procurados pelos investidores globais.
Do total da dívida, cerca de US$ 8 trilhões estão sob controle do próprio governo americano, enquanto aproximadamente US$ 32 trilhões circulam no mercado. Dois terços desses títulos estão nas mãos de investidores domésticos, e cerca de US$ 4,5 trilhões são mantidos pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA.
Após a divulgação do novo recorde, o Tesouro dos Estados Unidos informou que elevaria suas operações de compra de títulos no mercado de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.
A elevação das taxas cobradas pelos títulos de longo prazo, contudo, aumentou o custo da dívida. Em 18 de agosto, o rendimento dos papéis americanos com vencimento em 30 anos atingiu 5,33%, o maior nível desde 2007.
A inflação e as incertezas relacionadas à política comercial e econômica da Casa Branca contribuíram para a pressão sobre os juros. Tarifas impostas a importações e conflitos comerciais com outros países elevaram a percepção de risco entre investidores.
A política de redução de impostos também diminuiu a arrecadação federal. Em 2025, o governo Donald Trump aprovou novas reduções tributárias, com previsão de ampliar o déficit dos Estados Unidos em US$ 4,7 trilhões ao longo de uma década. No mesmo período, foram previstos cortes de US$ 1 trilhão em gastos com saúde pública.
A carga tributária americana representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo da média de 34% observada entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Embora alguns governos tenham reduzido suas reservas em títulos americanos, o dólar mantém posição predominante no sistema financeiro internacional. A moeda responde por 57% das reservas mundiais, seguida pelo euro, com 20%, e pelo yuan chinês, com 2%.
O aumento dos juros nos Estados Unidos também pode afetar outras economias, incluindo o Brasil, ao dificultar a redução das taxas de juros em países emergentes e ampliar a busca de investidores por ativos considerados mais seguros.



