# Brasil registra 81 tornados até julho; Sul concentra condições favoráveis
O Brasil contabilizou 81 tornados identificados até julho deste ano, segundo dados da Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas (Prevots), formada por meteorologistas voluntários. O total pode superar, até o fim de 2026, o recorde de 92 ocorrências registradas no país no ano passado.
O levantamento aponta crescimento gradual no número de tornados entre 2018 e 2025. No entanto, ainda não há confirmação de que essa alta esteja diretamente relacionada às mudanças climáticas.
Parte do aumento dos registros é atribuída à maior facilidade de documentar os fenômenos. Com celulares e redes de comunicação, a população consegue registrar eventos que, em décadas anteriores, poderiam não ser identificados ou catalogados.
Estudos também indicam que o Brasil está entre os países mais suscetíveis à formação de tornados, atrás apenas dos Estados Unidos. As condições atmosféricas da Região Sul favorecem a ocorrência de supercélulas, tempestades severas capazes de produzir granizo de grande porte, ventos intensos e colunas de ar em rotação que podem alcançar o solo.
A formação desses sistemas ocorre, principalmente, no encontro entre massas de ar quente e úmido e outras mais frias e secas. O Sul do país é uma área recorrente desse choque de condições meteorológicas, o que amplia o risco de tempestades rotativas e tornados.
O caso mais recente foi registrado na última terça-feira nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste do Rio Grande do Sul. Quatro pessoas ficaram feridas e houve danos materiais nas cidades afetadas.
Embora não seja possível indicar com precisão o ponto onde um tornado tocará o solo, meteorologistas conseguem antecipar, com até 24 ou 48 horas de antecedência, a formação de tempestades com potencial para desenvolver rotação. A variação da velocidade e da direção dos ventos em diferentes níveis da atmosfera é um dos fatores analisados.
Os radares meteorológicos são fundamentais para o monitoramento de curto prazo. Os equipamentos detectam tempestades já formadas e podem identificar sinais de rotação, permitindo a emissão de alertas minutos antes da ocorrência de fenômenos severos.
Apesar dos avanços, a rede de radares no Brasil ainda é considerada insuficiente e necessita de modernização e ampliação. Para manter a qualidade das informações, cada equipamento tem cobertura efetiva em um raio aproximado de 250 quilômetros. Em distâncias maiores, a leitura perde precisão, especialmente em relação aos fenômenos próximos à superfície.
As cidades também enfrentam desafios de preparação para tornados, vendavais e granizo. Medidas como a construção de abrigos, instalação de sirenes, integração de alertas a aplicativos de celular e treinamento de equipes de Defesa Civil são apontadas como recursos importantes para reduzir riscos.
A alteração na dinâmica dos ventos associada ao super El Niño pode favorecer a ocorrência de grandes tempestades na Região Sul durante o segundo semestre, elevando a possibilidade de eventos meteorológicos extremos. A orientação é acompanhar os boletins de previsão e seguir os alertas e protocolos divulgados pela Defesa Civil.



