quinta-feira, julho 30, 2026
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Arte transforma vivência com HIV em ato de resistência

**Artista Micaela Cyrino transforma vivência com HIV em militância e produção cultural**

Nascida em São Paulo, Micaela Cyrino vive com HIV desde o nascimento, em decorrência de transmissão vertical. Ela faz parte da geração de crianças infectadas no início da epidemia, período em que ainda não havia protocolos consolidados de prevenção nem amplo acesso aos tratamentos disponíveis hoje.

Aos seis anos, perdeu a mãe em consequência da AIDS. Após o diagnóstico, foi encaminhada a um abrigo voltado a crianças vivendo com HIV, onde permaneceu até completar 18 anos. Nesse ambiente, cresceu ao lado de outras crianças, educadores e funcionários.

Durante a infância e a adolescência, Micaela acompanhou os primeiros avanços no tratamento do HIV. Na época, os medicamentos ainda eram pouco adaptados ao uso infantil e os esquemas terapêuticos eram mais complexos e pesados. Também presenciou a morte de muitos amigos do abrigo, em um período marcado por altos índices de mortalidade associados à doença.

Sua formação artística começou cedo. Mais tarde, estudou Moda e Artes na Faculdade Santa Marcelina. Ainda adolescente, passou a atuar no movimento de pessoas vivendo com HIV, após tornar pública sua sorologia em uma peça de teatro apresentada na escola.

Em 2008, participou da criação da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV, iniciativa que posteriormente ganhou articulação em outros países da América Latina. Ao longo da trajetória, sua militância também passou a dialogar com pautas ligadas ao feminismo e ao movimento de mulheres negras.

Atualmente, Micaela concentra sua atuação na produção artística. Suas performances, pinturas e intervenções urbanas abordam temas como HIV, estigma, negritude e indústria farmacêutica. Parte de sua obra integra acervos de instituições como a Pinacoteca de São Paulo e o Museu da Diversidade.

Sua trajetória reúne ativismo, arte e memória de uma geração diretamente impactada pela epidemia de HIV/AIDS no Brasil. Depois de uma infância marcada pela convivência com a doença e pela perda de pessoas próximas, Micaela passou a construir sua atuação pública a partir da criação artística e do debate sobre estigma e futuro.

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