sexta-feira, março 27, 2026
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Planejamento de Segurança em Parques: Redução de Riscos sem Garantia de Eliminação

A morte de uma menina de 11 anos no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul (RS), suscitou questionamentos sobre a segurança nas unidades de conservação que recebem turistas. Após o trágico acidente no Cânion Fortaleza, a concessionária responsável pelos serviços turísticos na área afirmou que está em conformidade com as políticas e protocolos de segurança estabelecidos.

A Urbia Cânions Verdes, que administra o parque, ressaltou que os visitantes são orientados a seguir práticas seguras nas trilhas, especialmente nas bordas dos cânions, com a presença de placas informativas ao longo do percurso que alertam sobre riscos e precauções necessárias. A empresa também mantém uma equipe de segurança, incluindo bombeiros civis preparados para atender emergências.

As trilhas no local são classificadas entre níveis médio e intermediário, e embora a contratação de guias de turismo registrados seja recomendada, não é obrigatória nem feita pela administração do parque. Essas medidas fazem parte do Sistema de Gestão de Segurança estabelecido no Protocolo Operacional de Visitação (Prov), um documento aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O Prov aborda a operação de áreas acessíveis aos visitantes e detalha as atividades permitidas, horários, serviços, restrições e componentes de segurança, como sinalização e guarda-corpos. Todas as práticas devem receber a aprovação do ICMBio, responsável por avaliar a viabilidade das atividades e equipamentos oferecidos.

Após o acidente, o ICMBio declarou que não encontrou falhas significativas na segurança e sinalização, mas se comprometeu a revisar e reforçar as medidas de segurança nos parques abertos à visitação.

No cenário do turismo de aventura, representantes do setor alertam que caminhadas, passeios a cavalo e atividades radicais sempre envolvem riscos. O diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) destacou que, em ambientes naturais, os perigos são inerentes e devem ser considerados nas normas de segurança.

Este conjunto de normas técnicas, que inclui 44 diretrizes reguladoras, é respaldado pelo Código de Defesa do Consumidor e foi adotado pela ISO, tornando-se um padrão internacional.

Atualmente, 75 parques nacionais no Brasil estão concedidos a empresas que operam serviços de turismo. Embora cada unidade apresente diferentes tamanhos e complexidades, de maneira geral, são consideradas seguras, segundo representantes do setor, que enfatizam a importância da fiscalização e da observância das normas durante as concessões.

No entanto, o mercado de turismo de aventura fora dos parques regulados enfrenta desafios como a informalidade e a falta de fiscalização, o que pode aumentar os riscos para os consumidores. Os parques nacionais brasileiros são vistos como seguros, com riscos semelhantes aos de áreas urbanas conhecidas.

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