A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham e a U.S. Chamber enviaram carta conjunta pedindo que autoridades protejam a relação comercial estratégica entre Brasil e Estados Unidos. No documento, as entidades propõem uma agenda de negociações em duas etapas, com medidas de curto e longo prazo, e prioridade para evitar a aplicação de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.
O posicionamento foi divulgado após a intensificação do diálogo bilateral, marcada pela reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em maio, no contexto da investigação prevista na Seção 301 da legislação americana.
A carta foi dirigida a ministros e autoridades dos dois países: ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer; e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Como proposta imediata, o setor privado pede solução para a investigação da Seção 301 que impeça a imposição de novas tarifas sobre determinados produtos brasileiros.
As entidades indicam foco em temas considerados de alto impacto, entre eles:
– Ampliar o acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital e produtos ligados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial.
– Intensificar cooperação regulatória para facilitar a entrada em mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos.
– Apoiar a extensão de longo prazo da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) que isenta de impostos de importação as transmissões eletrônicas.
– Acelerar o exame de patentes e reduzir o estoque de pedidos no Brasil, com ênfase nos setores de saúde e biofarmacêutico, além de reforçar o combate à pirataria e à contrafação.
– Avançar em cooperação sobre minerais críticos, incluindo mapeamento geológico conjunto, pesquisa e desenvolvimento, investimentos para processamento e agregação de valor, e criação de cadeias bilaterais de fornecimento seguras e resilientes.
– Implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).



