domingo, junho 28, 2026
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Brasil afirma que “tarifaço” dos EUA foi politizado visando as eleições

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantêm negociações sobre a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre parte das exportações brasileiras, recomendadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Autoridades brasileiras consideram que as medidas ganharam viés político em um contexto eleitoral, com atenção da Casa Branca ao pleito presidencial marcado para outubro de 2026. Brasília busca convencer Washington de que um acordo comercial bilateral seria mais vantajoso do que a imposição das tarifas.

Na última quarta-feira (24), o Itamaraty divulgou sua posição sobre o tema e informou que o país segue utilizando os canais oficiais de interlocução para contestar as medidas e demonstrar que suas políticas não prejudicam o comércio com os EUA.

Após participar de evento sobre Mercosul-União Europeia em São Paulo, na sexta-feira (26), o vice-presidente Geraldo Alckmin manifestou-se sobre a tentativa do senador Flávio Bolsonaro de interceder junto aos Estados Unidos na questão das tarifas.

O prazo final para decidir sobre a aplicação das tarifas é 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro tem uma agenda de reuniões com representantes da Casa Branca e avalia ser possível, embora difícil, fechar um acordo.

Há também a avaliação de que a administração Trump poderia evitar um entendimento que beneficiaria o governo brasileiro às vésperas da eleição. Nesse cenário, a disputa é vista como tendo componente político além do estritamente comercial, mesmo com os Estados Unidos apresentando superávit nas trocas com o Brasil.

A nova política de segurança nacional dos EUA, publicada em dezembro de 2025, orienta que o país busque maior proeminência na América Latina e tente reduzir a influência de atores externos na região, em especial a China. Nesta semana, o presidente norte-americano divulgou um artigo que descreve a eleição brasileira como um teste estratégico para os EUA.

A recomendação do USTR para aplicar tarifas ao Brasil decorre de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que apontou práticas comerciais consideradas “desleais” — entre elas ações contra o sistema de pagamentos Pix, segundo o relatório, que teriam favorecido empresas estadunidenses do setor.

O governo brasileiro rejeitou os argumentos da investigação, qualificando-os como ilegítimos e como expressão de protecionismo unilateral. Brasília tem questionado as tarifas adicionais também com base no fato de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre importações provenientes dos EUA é de 2,7%, percentual que, segundo autoridades, não justificaria alegações de prejuízo ao acesso ao mercado brasileiro.

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