quinta-feira, junho 25, 2026
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Do campus ao laboratório: pesquisa universitária chega aos exames periciais em MS

Uma parceria entre a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) aproxima estudantes da rotina forense e converte pesquisas acadêmicas em métodos aplicáveis nos exames periciais.

O vínculo, formalizado em 2021 via Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), completa cinco anos em 2026. No Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF), a cooperação concentra-se especialmente na Divisão de Química e Toxicologia (DQT) e no Instituto de Química (Inqui) da UFMS.

O caso da química Brenda Pache Moreschi ilustra o caminho de formação promovido pela parceria. Estagiária voluntária no IALF desde 2019, ela utilizou a experiência prática para desenvolver o trabalho de conclusão de curso, prosseguiu com mestrado e hoje cursa doutorado em Química Analítica. Brenda também atua como gerente técnica em empresa de análises ambientais, com ênfase em cromatografia — técnica central em sua formação.

Na DQT, estudantes e pesquisadores lidam com matrizes complexas, seguem procedimentos de laboratório oficial e observam a cadeia de custódia, garantindo rastreabilidade das provas desde a coleta até o laudo. O Inqui fornece orientação acadêmica e apoio no desenvolvimento de metodologias analíticas.

Entre as pesquisas geradas pelo intercâmbio está um método para detecção de bromadiolona, anticoagulante usado em rodenticidas. A técnica foi adaptada para análise de amostras forenses e biológicas e já é empregada na investigação de mortes suspeitas por envenenamento em cães e gatos por meio da avaliação de conteúdo gástrico.

Outro produto da cooperação foi a validação de método por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas para determinação de cocaína em materiais apreendidos no estado. Estudos sobre praguicidas e canabinoides sintéticos também foram desenvolvidos para ampliar o repertório técnico da perícia.

A produção acadêmica associada à parceria inclui trabalhos de conclusão de curso, dissertações, teses e artigos publicados em revistas internacionais. Essa documentação técnica permite a transferência de tecnologia para a atividade pericial, a padronização de procedimentos e a avaliação por pares da comunidade científica.

Professores do Inqui estimam cerca de dez projetos concluídos ou em andamento no período da parceria, com impactos diretos na rotina dos peritos e na elaboração de laudos.

Mato Grosso do Sul, por sua condição de estado de fronteira e pela diversidade de substâncias encaminhadas à PCi-MS, enfrenta a necessidade constante de atualização de métodos laboratoriais. O diálogo entre laboratório oficial e universidade oferece estrutura para estudar, testar e registrar procedimentos que retornam ao serviço público como ferramentas de exame.

O resultado tem repercussão na Justiça e na sociedade: a aplicação de protocolos validados contribui para esclarecer suspeitas, orientar investigações e embasar laudos periciais.

Reportagem: Comunicação PCi-MS

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