sábado, junho 20, 2026
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Reforma em Cuba não equivale a capitalismo; é tentativa de contornar o bloqueio

A Assembleia Nacional de Cuba discutiu nesta quinta-feira (18) um pacote de reformas econômicas e de reorganização do Estado, que inclui mudanças fiscais, cambiais e na política de comércio exterior, além de revisão dos subsídios e reestruturação administrativa com descentralização política e abertura econômica. O governo afirma que as alterações visam preservar a justiça social e reduzir desigualdades.

Entre as propostas estão mais de 20 medidas para estimular o investimento estrangeiro direto, ampliar a autonomia de gestão das empresas estatais, descentralizar decisões para municípios e possibilitar maior participação de acionistas em companhias cubanas. Também estão previstas alterações nos setores de turismo e imobiliário e uma reformulação do sistema de subsídios.

As medidas dão sequência a iniciativas anteriores, como a autorização de pequenas propriedades produtivas e a reforma monetária implementada em 2021.

Contexto externo
A iniciativa ocorre em meio ao endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que já dura quase sete décadas. Segundo o governo cubano, o endurecimento se intensificou no final de 2025 com restrições navais à Venezuela, então principal fornecedora de petróleo da ilha.

Em janeiro deste ano, Washington ampliou a pressão ao ameaçar com sanções países que vendessem petróleo a Cuba, medida que levou a ilha a ficar três meses sem abastecimento. Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA aplicou novas sanções a setores do turismo, mineração de ouro e à estatal do petróleo cubana.

Impactos econômicos
O bloqueio e as sanções recentes resultaram no abandono de operações em Cuba por companhias aéreas e grandes redes hoteleiras, entre elas Meliá Hotels International e Iberostar. As operadoras de cartões Visa e Mastercard também deixaram de operar no país, que tem cerca de 11 milhões de habitantes.

A economia cubana depende majoritariamente do turismo e da exportação de serviços médicos para obtenção de divisas. A Casa Branca tem pressionado governos estrangeiros a romper contratos com médicos cubanos, reduzindo outra fonte importante de receita em moeda estrangeira.

As medidas dos EUA vêm sendo associadas a efeitos internos, como aumento de apagões, alta de preços de produtos básicos, diminuição do transporte público e redução da oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado.

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