sábado, maio 16, 2026
InícioEconomiaDólar sobe a R$ 5,06; bolsa recua por tensão global e ruído...

Dólar sobe a R$ 5,06; bolsa recua por tensão global e ruído político

O dólar subiu e fechou acima de R$ 5 nesta sexta-feira (15), alcançando o maior patamar em um mês. A alta ocorreu em um dia marcado por turbulência externa e incertezas domésticas, e pressionou a bolsa brasileira.

A moeda norte-americana terminou o pregão vendida a R$ 5,067, alta de R$ 0,081 (1,63%). Durante a sessão chegou a R$ 5,08 por volta das 13h, antes de recuar levemente no fim do dia. Na semana, o dólar avançou 3,48%; no acumulado de 2026, porém, a divisa segue em queda de 7,70%. Trata-se do maior valor desde 8 de abril, quando a cotação fechou em R$ 5,10.

O mercado acionário também registrou perdas. O índice Ibovespa, da B3, fechou a 177.284 pontos, com recuo de 0,61%. O índice operou pressionado ao longo do dia, refletindo o ambiente externo mais defensivo e o aumento das preocupações fiscais e políticas no país. Pela manhã, o indicador chegou a cair mais de 1%, mas amenizou parte das perdas com apoio de papéis da Petrobras.

Fatores externos exerceram forte influência sobre os ativos. A combinação de alta nos preços do petróleo, tensões geopolíticas no Oriente Médio e a persistência da pressão inflacionária global levou investidores a aumentar a percepção de que o Federal Reserve pode manter juros mais altos por mais tempo. Esse movimento foi reforçado pela elevação dos rendimentos dos títulos públicos japoneses: o juro do papel de dez anos atingiu 2,37% — nível mais alto desde 1999 — e os títulos de 30 anos superaram 4%, após aceleração da inflação ao produtor no Japão para 4,9% em abril.

A perspectiva de subida de juros no Japão contribuiu para a desmontagem de operações de carry trade, reduzindo o fluxo de capitais de países de juros baixos para mercados emergentes. Esse processo ajudou a fortalecer o dólar e a acelerar saídas de recursos de economias como a brasileira.

No plano doméstico, desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro aumentaram a percepção de risco entre investidores, ampliando a busca por proteção na moeda americana. Nesta sexta, o site Intercept Brasil publicou nova reportagem sobre ligações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master, o que elevou a cautela em relação a ativos locais.

Os preços do petróleo reagiram ao aumento das tensões na região do Golfo Pérsico e à falta de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo. O barril de Brent fechou em alta de 3,35%, a US$ 109,26. O barril WTI, do Texas, avançou 4,2%, para US$ 105,42.

A escalada nos preços do petróleo e a manutenção das tensões regionais mantêm elevada a preocupação com a inflação global, pressionando expectativas de juros e ampliando a volatilidade nos mercados financeiros internacionais.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES