quinta-feira, março 26, 2026
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Proibição da murta em Campo Grande: garantia de segurança sanitária para a citricultura estadual

**Proibição da Murta em Campo Grande: Medida Visa Proteger Citricultura do Estado**

A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou um projeto de lei que proíbe o comércio, o transporte e a produção da planta Murraya paniculata, conhecida como murta de cheiro. A iniciativa, de autoria do vereador Veterinário Francisco, visa proteger a citricultura local ao eliminar uma das principais hospedeiras do psilídeo da laranja, um inseto transmissor da doença conhecida como greening.

De acordo com dados do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Jaime Verruck, Campo Grande concentra a maior quantidade dessa planta, que tem causado danos significativos às plantações de cítricos. O projeto estabelece uma multa de R$ 1 mil para quem for flagrado cultivando, vendendo ou transportando mudas de murta. Em casos de reincidência, o valor será aplicado em dobro.

Após a aprovação, a lei ainda precisa ser sancionada pela prefeita Adriane Lopes para entrar em vigor. Além das penalidades, o texto prevê a criação de um plano municipal para erradicar as mudas de murta já existentes, começando por áreas públicas e, em uma segunda fase, alcançando propriedades privadas.

Cidades vizinhas, como Três Lagoas e Dois Irmãos do Buriti, já implementaram legislação semelhante, e outras localidades estão discutindo propostas com o mesmo objetivo. Em âmbito estadual, a proibição da murta já foi formalizada na Lei nº 6.293, sancionada pelo governador Eduardo Riedel em agosto do ano passado.

A murta é considerada um vetor de doenças para a citricultura, como o greening, que já devastou pomares nos Estados Unidos e afetou significativamente as lavouras em São Paulo. Esse estado, o maior produtor de cítricos do Brasil, perdeu pelo menos 50% de sua produção devido a essa praga.

Mato Grosso do Sul, que já possui mais de 20 mil hectares de pomares plantados, atrai investimentos na citricultura e planeja aumentar essa área para 30 mil hectares até o final do ano. A medida de erradicação da murta é uma das primeiras implementadas no país, além de incluir a destruição de árvores de cítricos infectadas, reforçando o compromisso do governo estadual em tornar o estado um polo de produção sustentável.

Desde dois anos, o Governo do Estado mantém um acordo de cooperação com o FundeCitrus, que oferece suporte técnico aos citricultores locais, especialmente em relação ao controle do greening.

A murta de cheiro, originária da região do Mediterrâneo, é apreciada por sua folhagem perene e aroma agradável, mas sua associação ao greening destaca a necessidade de enfrentamento ao problema.

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