quinta-feira, maio 14, 2026
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Organizações denunciam possível golpe eleitoral nos EUA que pode favorecer Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos, em decisão de 6 a 3 com maioria conservadora, anulou o mapa eleitoral para a Câmara dos Representantes do estado da Louisiana por considerá-lo excessivamente baseado em critérios raciais. A sentença determina que dois distritos de maioria negra sejam redesenhados, o que tende a alterar a distribuição de cadeiras do estado no Congresso.

Em reação imediata, o governador da Louisiana, Jeff Landry, cancelou as primárias partidárias previstas para 16 de maio, citando a necessidade de alterar os mapas eleitorais antes da votação. O presidente dos EUA, Donald Trump, comemorou a decisão e agradeceu a Landry por levar o caso à Suprema Corte; também incentivou governadores a redesenharem distritos em outros estados.

Organizações de direitos civis como a NAACP, a National Action Network e a ACLU criticaram a decisão, afirmando que ela enfraquece proteções históricas contra a supressão do voto e pode abrir caminho para restrições eleitorais. As entidades alertaram para o impacto sobre eleitores negros e latinos em distritos onde esses grupos tradicionalmente favorecem candidaturas democratas.

Especialistas e analistas políticos observaram que a decisão pode facilitar mudanças de mapas eleitorais em diversos estados, com potencial para beneficiar os republicanos e alterar o equilíbrio partidário em eleições futuras. O contexto inclui uma tendência recente de redesenho de distritos em favor de um dos partidos — prática conhecida como gerrymandering — e medidas semelhantes já adotadas por estados como Texas, Flórida, Missouri, Carolina do Norte e Ohio.

A Flórida foi citada pela imprensa americana como exemplo recente de redistritamento que resultou em representação parlamentar desproporcional em relação ao voto popular. Estados controlados pelos democratas, como Califórnia, e por republicanos, como Utah e Virgínia, também promoveram alterações nos mapas, algumas delas com efeitos favoráveis aos partidos dominantes localmente.

A Lei dos Direitos de Voto, de 1965, criada no contexto do movimento pelos direitos civis, serviu historicamente para corrigir práticas que marginalizavam eleitores negros e latinos, incluindo a adoção de distritos de maioria negra para garantir representação parlamentar. A decisão da Suprema Corte altera a aplicação dessa norma e deverá motivar recursos legais e iniciativas legislativas.

No sistema eleitoral dos EUA, que adota distritos uninominais, cada candidato precisa obter a maioria dos votos em um distrito específico para ser eleito. Por isso, o redesenho das fronteiras pode transformar a maioria de eleitores em minorias em determinados distritos, influenciando significativamente os resultados eleitorais estaduais e nacionais.

A controvérsia deve se intensificar nos próximos meses, com partidos e grupos cívicos preparando ações judiciais e campanhas para disputar os novos limites. Muitos dos novos mapas podem entrar em vigor apenas em ciclos eleitorais posteriores, o que amplia o impacto da decisão para além das eleições de 2026.

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