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MPRJ ouve familiares de mortos na Operação Contenção para esclarecer os fatos

Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio (Gaesp/MPRJ) e equipes da ouvidoria itinerante atenderam, na terça-feira (28 de março de 2026), parentes de pessoas mortas durante a Operação Contenção. O atendimento foi realizado no quartel do Corpo de Bombeiros da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro.

A Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, resultou na morte de 122 pessoas, entre elas cinco policiais civis e militares. Desde o início das investigações, o MPRJ vem realizando busca ativa por familiares para esclarecer as circunstâncias das mortes e permitir o acompanhamento institucional das apurações.

As entrevistas com parentes buscam reunir informações sobre a dinâmica da ação policial e facilitar a elucidação dos fatos. Para ampliar o acesso à justiça e evitar dificuldades de deslocamento até a sede do MP, a estrutura de atendimento foi instalada próxima às áreas onde ocorreram as operações. Além do atendimento de 28 de março, parte das escutas foi realizada também em 24 de março.

Na sequência da operação, o Gaesp instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo, passou a monitorar em tempo real por meio do plantão de operações e acionou os protocolos previstos na ADPF 635, que trata de ações policiais com potencial de letalidade. Foram requisitados dados e documentos às secretarias de Polícia Militar e de Polícia Civil, ouvidos agentes públicos que participaram do planejamento e da tomada de decisões no dia da operação, e realizadas perícias próprias e complementares no Instituto Médico Legal.

A Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (Dedit) elaborou laudos sobre as vítimas e está analisando mais de 3.600 horas de imagens das câmeras corporais da Polícia Militar. Em dezembro de 2025, o Gaesp recomendou aos secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar a edição de um protocolo conjunto para operações policiais com medidas de redução de riscos, mitigação de danos e contenção da letalidade. Em março de 2026, houve nova recomendação voltada ao aprimoramento do planejamento, execução e monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis.

O ministro Alexandre de Moraes determinou que o Estado do Rio envie à Polícia Federal os vídeos relativos à Operação Contenção.

Até o momento, o Gaesp e as promotorias junto à Auditoria da Justiça Militar apresentaram oito denúncias contra 27 policiais militares por supostas ilegalidades praticadas durante a operação. As acusações envolvem apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasões de domicílio, constrangimento de moradores, subtração de bens e tentativas de obstrução ou desligamento de câmeras corporais.

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