A Prefeitura de Dourados formalizou no dia 17 a contratação emergencial de empresas para reforçar a limpeza urbana nas aldeias indígenas do município. O objetivo é intensificar a coleta de resíduos e ações de limpeza voltadas ao combate de arboviroses.
Foram contratadas as empresas Financial Construtora Industrial e Litucera Limpeza e Engenharia, em um investimento superior a R$ 926 mil. As intervenções foram direcionadas a áreas consideradas críticas, especialmente na Reserva Indígena de Dourados, onde já foram identificados milhares de focos do Aedes aegypti e há registro de óbitos relacionados às doenças.
Um mutirão de limpeza teve início no dia 20, com atuação concentrada inicialmente na Aldeia Bororó. As contratadas prestaram apoio logístico para acelerar a retirada de resíduos sólidos. Dados da administração municipal apontam que, desde o início de março, mais de 1.100 toneladas de resíduos foram recolhidas em Dourados.
Cenário epidemiológico
O município enfrenta um quadro grave de arboviroses. Há mais de 5 mil casos prováveis de chikungunya, com mais de 2 mil confirmações laboratoriais e ao menos oito mortes registradas até o momento.
Entre os pontos críticos identificados estavam recipientes com acúmulo de lixo próximos à quadra de esportes da Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, local onde foi montado um ambulatório de atendimento. Esses tonéis foram removidos após as ações de limpeza.
Falhas estruturais e continuidade das ações
A situação nas aldeias evidencia a necessidade de articulação contínua entre população e poder público. Enquanto moradores recebem orientações para eliminar possíveis criadouros, cabe ao município garantir coleta regular e condições adequadas de limpeza — serviços que, segundo registros, não vinham ocorrendo de forma satisfatória.
A resposta emergencial foi iniciada após cobranças públicas e diante de um cenário já agravado, o que ressalta a dimensão do problema e a necessidade de medidas permanentes para prevenir novas surtos.



