O programa MS Supera beneficia atualmente 158 estudantes indígenas em Mato Grosso do Sul com bolsas mensais de R$ 1.621 para continuidade dos estudos. Do total, 155 estão matriculados em cursos universitários e três em cursos técnicos.
Em 2026 o programa deverá atingir 2.500 bolsistas, número recorde que inclui indígenas e não indígenas. A Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) informou que está em processo para preencher 600 vagas e formar cadastro de reserva. As inscrições foram encerradas com 6.094 inscritos, dos quais 1.491 foram habilitados na seleção.
Entre os beneficiários está Ana Vanessa Neres, 38 anos, mãe solteira da etnia Kinikinau, residente em Anastácio. Cursando Geografia (licenciatura) no campus II da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Aquidauana), ela utiliza o auxílio para aquisição de material e custos de deslocamento até a universidade, conciliando trabalho como diarista e em serviços noturnos com as atividades acadêmicas.
Os critérios para participação no MS Supera incluem renda individual de até 1,5 salário mínimo (para quem mora sozinho) ou renda familiar de até 3 salários mínimos; estar aprovado ou matriculado em curso técnico ou superior presencial ou em EAD autorizado pelo MEC; e estudar em instituição com polo em Mato Grosso do Sul.
Também são exigidos: não ter curso superior concluído; residir em Mato Grosso do Sul há mais de dois anos; estar inscrito no CadÚnico; não acumular outra bolsa ou auxílio semelhante; ter no máximo quatro reprovações no curso; e não ter outro familiar beneficiário do MS Supera.
A reportagem apurou ainda que a etnia Kinikinau, sem aldeias próprias atualmente, teve muitos de seus membros registrados como Terena em documentos oficiais. Estimativas apontam cerca de 600 Kinikinau vivendo entre territórios Kadiweu e Terena. No caso da beneficiária citada, a família migrou de Bonito para Anastácio com objetivo educacional, gerando profissionais como um irmão engenheiro e primas nas áreas de enfermagem e pedagogia.



