segunda-feira, abril 13, 2026
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Reforma tributária revela desafios para a automação nas empresas

A menos de nove meses da entrada em vigor do Imposto sobre Valor Adicionado Dual (IVA dual), a reforma tributária começa a revelar fragilidades na operação fiscal de empresas brasileiras. Processos lentos e dependência de tarefas manuais ainda são comuns, segundo levantamento da V360.

A pesquisa com 355 profissionais de médias e grandes companhias mostrou que 62,2% das empresas levam mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal no sistema. Entre elas, 22,3% demoram mais de 30 dias. Ao mesmo tempo, 87% disseram contar com alto nível de automação fiscal, indicador que aponta uma discrepância entre tecnologia adotada e a necessidade de intervenção humana.

O estudo também apurou que muitos processos seguem parcialmente automatizados. Embora 61% das organizações capturem notas fiscais de forma automática, apenas 49% fazem o registro nos sistemas sem ação manual. Essa limitação está ligada à necessidade de integrações e validações adicionais nos ERPs para atender às complexidades do ambiente tributário nacional.

Quanto às conferências das notas, apenas 48% das empresas realizam validação completa — comparando itens, valores e quantidades com pedidos de compra. Outras 44% fazem checagens parciais e 8% mantêm procedimentos totalmente manuais. Esses gaps elevam o risco de pagamentos indevidos, erros fiscais e perda de controle interno, especialmente em cadeias com grande volume de fornecedores.

Dos levantados, 63% afirmaram processar mais de 10 mil notas fiscais por mês, o que torna os gargalos operacionais mais críticos em escala. A discrepância entre captura automática e registro sem intervenção foi descrita no estudo como um exemplo de “falsa automação”: processos digitalizados que ainda exigem validação manual.

A reforma tributária, em fase de testes em 2026, deve intensificar a pressão sobre sistemas e rotinas. A atual etapa prevê a cobrança simbólica de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, valores que serão deduzidos dos tributos vigentes. A partir de 2027, os cinco tributos sobre consumo serão gradualmente extintos, enquanto as alíquotas de CBS e IBS terão aumento progressivo.

Mesmo com alíquotas iniciais baixas, as obrigações acessórias passam a valer de imediato. As empresas precisarão destacar CBS e IBS nas notas fiscais, preencher novos campos obrigatórios e informar corretamente a classificação fiscal de produtos e serviços. Em dezembro, a Receita Federal suspendeu as multas por omissão da discriminação desses tributos nas notas até o quarto mês seguinte à regulamentação da CBS e do IBS.

O levantamento indica que, diante das mudanças, a automação deixará de ser apenas um recurso operacional e assumirá papel estratégico. Empresas com processos mais integrados tendem a ter maior capacidade de adaptação, enquanto aquelas com validações parciais ou manuais podem enfrentar aumento de custos e maior exposição a erros.

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