Brasília (DF), 31/03/2026 — Quadrinhos da personagem Engenheira Eugênia passaram a integrar, em 2026, a apostila “Práticas de Alfabetização e de Matemática – anos iniciais do ensino fundamental” destinada ao público da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Universidade do Estado de São Paulo (USP).
Criada em 2013 pelo coletivo de mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), a personagem foi originalmente pensada para dar visibilidade às questões e às reivindicações das mulheres na engenharia. As tirinhas, publicadas no site da federação, abordam temas como assédio moral, violência de gênero no trabalho, instalação de banheiros femininos em canteiros e no campo, além de combate ao racismo e à LGBTQIAPNfobia.
No material adotado pela EJA, há uma história em que a protagonista enfrenta assédio moral e desqualificação por parte de um superior. A atividade pedagógica proposta busca conscientizar estudantes para identificar esse tipo de situação e promover reflexões sobre respeito, igualdade e direitos no ambiente profissional.
A iniciativa também foi levada a projetos comunitários. Em ação do Viaduto Literário com crianças do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, as tirinhas foram usadas para discutir oportunidades e representatividade na profissão de engenharia. Em contato com os alunos, professores registraram percepções que associavam a engenharia a uma ocupação restrita a pessoas de maior poder aquisitivo, o que reforça a intenção do coletivo de desconstruir estereótipos.
A personagem é retratada como uma mulher negra, com 15 anos de experiência na engenharia, mãe de dois filhos e separada. O retrato busca abordar a representatividade desde o início e evidenciar a realidade de mulheres que conciliam trabalho remunerado e responsabilidades domésticas.
O material da Engenheira Eugênia já foi traduzido para o inglês, apresentado em fóruns sindicais internacionais, adaptado para animação e divulgado em marcadores de página. Em 2016, o projeto recebeu o Prêmio Anamatra de Direitos Humanos na categoria comunicação sindical.
O coletivo da Fisenge tem destacado a educação como instrumento para ampliar o diálogo social e promover mudanças nas relações de trabalho, justificando a inclusão dos quadrinhos nos conteúdos pedagógicos da EJA.
Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.



