O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lançou a plataforma Centro Integrado Mulher Segura, que reúne dados sobre casos de feminicídio no Brasil. A iniciativa integra o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e tem objetivo de apoiar ações de prevenção e o fortalecimento das redes de proteção.
A base permite identificar padrões de risco, antecipar situações críticas e embasar decisões com evidências. Entre as informações disponíveis estão números de boletins de ocorrência, linhas do tempo das vítimas e estatísticas por local e perfil.
Os dados indicam que a residência é o cenário mais frequente dos crimes. A maioria dos autores é composta por companheiros das vítimas. O perfil predominante das mulheres assassinadas é de cor parda, com idade média próxima a 37 anos.
No ano passado foram registrados 1.561 casos de feminicídio. Em termos absolutos, São Paulo liderou o total de ocorrências, com 270 casos. Já a taxa por 100 mil mulheres foi mais alta no Acre.
A plataforma traz exemplos que mostram padrão de escalada da violência. Entre 2019 e 2025, uma mulher parda de 32 anos efetuou 19 boletins de ocorrência — incluindo registros por ameaças, lesão corporal dolosa e estupro — até a confirmação do feminicídio. Outra mulher parda, de 40 anos, registrou oito boletins, cinco deles por descumprimento de medida protetiva de urgência.
Dos agressores cadastrados, 253 possuem registros policiais anteriores. É possível consultar o número de boletins e as vítimas vinculadas a cada agressor. Todos os dados disponibilizados são anonimizados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A análise também aponta variações temporais: a maior parte dos casos ocorreu aos domingos e no mês de dezembro, sugerindo relações com contextos sociais e familiares.
Com monitoramento contínuo, o MJSP pretende coordenar intervenções mais eficazes e contribuir para reduzir a violência contra mulheres no país.



