O prefeito de Dourados decretou situação de emergência em saúde pública diante da epidemia de chikungunya identificada na Reserva Indígena e em avanço para bairros da cidade. O decreto nº 587, de 20 de março de 2026, visa garantir acesso a recursos do Ministério da Saúde para o enfrentamento do surto.
Desde a semana passada, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde está em Dourados para atuar no combate à epidemia. Entre os profissionais deslocados está o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e gestor na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O ato municipal autoriza adoção de medidas de vigilância em saúde quando houver risco iminente decorrente da presença do mosquito transmissor. A mobilização envolve a Secretaria Municipal de Saúde e equipes de campo para reduzir a circulação do vírus.
Chikungunya é causada por um vírus introduzido no Brasil há cerca de 12 anos e é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do zika. Os sintomas costumam incluir dores articulares que surgem já no primeiro ou segundo dia da doença e podem limitar as atividades diárias.
Ao contrário da dengue, a chikungunya frequentemente deixa dores nas articulações que podem persistir por semanas, meses ou, em casos mais duradouros, por anos. Estima-se que um único mosquito infectado pode transmitir o vírus a centenas de pessoas ao longo de um período de aproximadamente um mês e meio a dois meses, o que gera transmissão intensa nas áreas afetadas.
O mosquito costuma se reproduzir em ambientes domiciliares, como quintais, e em recipientes com água parada — pneus, latas, tampas de garrafa e outros objetos devem ser eliminados ou mantidos secos. A principal medida de prevenção é a remoção desses criadouros.
Grupos considerados mais vulneráveis a formas graves da doença incluem idosos (a partir de 60-65 anos), crianças menores de dois anos e pessoas com comorbidades crônicas, como diabetes e hipertensão, ou com problemas articulares preexistentes.
A prefeitura reforça a necessidade de colaboração da população para inspecionar residências e eliminar focos de água parada, em conjunto com as ações de agentes de endemias e programas estaduais e federais de saúde.



