Israel e Irã trocaram novos ataques na sexta-feira (20), um dia depois de Teerã ter atingido uma refinaria israelense. O confronto ocorreu também após um alerta do presidente dos Estados Unidos a Israel sobre possíveis ataques a um campo de gás offshore iraniano compartilhado com o Catar.
As Forças Armadas israelenses disseram que realizaram um ataque contra infraestrutura em Teerã, sem detalhar alvos ou danos. Em resposta, o Irã lançou vários mísseis contra território israelense, provocando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv e sons de interceptores de defesa aérea sobre a cidade.
Desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma ação conjunta contra o Irã, o conflito se expandiu pela região. A guerra já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e tem impactos significativos sobre a economia global.
No início de sexta-feira, os Emirados Árabes Unidos registraram uma ameaça de míssil. A ocorrência coincidiu com o início das celebrações do Eid al-Fitr. Kuweit informou que uma refinaria em um Estado do Golfo foi atingida por um ataque com drones.
Escalada na crise energética
Os recentes ataques fazem parte de uma série de ofensivas iranianas contra a infraestrutura energética regional, que têm provocado inquietação nos mercados internacionais.
Os preços da energia subiram na quinta-feira depois que o Irã retaliou um ataque israelense a um campo de gás importante, atingindo a cidade industrial de Ras Laffan, no Catar. Ras Laffan processa cerca de um quinto do gás natural liquefeito mundial, e os danos sofridos podem levar anos para serem reparados.
Na quinta-feira houve também ataques ao principal porto saudita no Mar Vermelho, usado para desviar parte das exportações diante do risco de fechamento do Estreito de Ormuz.
Na sexta-feira, porém, os preços do petróleo recuaram. Países ocidentais e o Japão ofereceram apoio para garantir a passagem segura de navios pelo estreito, rota por onde normalmente circula cerca de um quinto do petróleo mundial. Os Estados Unidos anunciaram medidas para aumentar a produção de petróleo, contribuindo para a queda dos preços.
Os ataques às instalações energéticas ressaltam a capacidade do Irã de impor custos elevados em retaliação à campanha israelense-americana e evidenciam os limites das defesas aéreas para proteger ativos estratégicos no Golfo.



